O que esperar dos resultados de Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil no 3T25

Resultado dos bancos: veja o que esperar de Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil no 3º trimestre de 2025.
resultado dos bancos

A temporada de resultado dos bancos brasileiros promete movimentar o nesta semana. Os grandes nomes do setor — Santander (SANB11), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) — divulgarão seus números referentes ao terceiro trimestre de 2025 entre os dias 28 de outubro e 12 de novembro, em meio a um cenário de desaceleração econômica, rural em alta e ajustes nas margens financeiras.

Analistas projetam resultados mistos, com destaque para o Itaú, que deve liderar o setor em , e para o Bradesco, que mostra sinais consistentes de recuperação. Já o tende a reportar ganhos estáveis, enquanto o Banco do Brasil deve apresentar o desempenho mais fraco entre os bancões, pressionado pelo aumento de provisões ligadas ao crédito agrícola.

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Santander (SANB11): rentabilidade pressionada, mas com leve melhora

O Santander Brasil abre a temporada nesta quarta-feira (28) e deve apresentar lucro líquido recorrente de R$ 3,7 bilhões, segundo estimativas do Goldman Sachs — uma alta modesta de 1% em relação ao ano anterior, refletindo melhora na margem financeira com clientes e leve redução nas provisões para perdas de .

A margem financeira líquida (NII) tende a crescer 2% no trimestre, impulsionada por um número maior de dias úteis e melhor margem de passivos, embora ainda sofra com a performance negativa das áreas de trading e ALM ( e passivos), afetadas pelas taxas de juros elevadas.

O custo do risco deve cair cerca de 11 pontos-base, enquanto as provisões totais sobem 14% em comparação ao terceiro trimestre de 2024. Ainda assim, o banco mantém ROE projetado em 16,2%, com lucro estimado em R$ 3,8 bilhões, segundo o UBS BB.

Os analistas esperam uma retomada gradual na originação de crédito, especialmente em segmentos como PMEs, veículos e cartões de crédito, mas sem crescimento robusto. O Santander deve manter uma postura conservadora, priorizando qualidade de carteira em vez de expansão agressiva.


Bradesco (BBDC4): recuperação consistente e foco em rentabilidade

O Bradesco deve apresentar um dos balanços mais positivos da temporada. O Goldman Sachs estima lucro líquido recorrente de R$ 6,3 bilhões, crescimento de 4% em relação ao trimestre anterior e de 21% em 12 meses, sustentado por margens sólidas e melhora da eficiência operacional.

A margem financeira líquida ajustada ao risco deve seguir em expansão, apoiada pelo crescimento de volumes, maior número de dias e recuperação das margens de passivos. Apesar do aumento pontual das provisões, o custo de risco deve permanecer controlado, subindo apenas 10 pontos-base, para 4,5%.

As receitas com tarifas e seguros continuam sendo pilares importantes, com avanço anual consistente. O ROE projetado é de 14,8%, segundo o Goldman Sachs, e 14,9%, de acordo com o UBS BB — patamar considerado saudável e em tendência de alta.

O Itaú BBA projeta lucro ainda maior, de R$ 6,4 bilhões, com ROE de 15%, impulsionado pela melhora na NIM ajustada ao risco, expansão de carteira e forte desempenho da divisão de seguros.

Após um período de ajustes internos e reorganização sob nova gestão, o Bradesco é visto como um caso de recuperação gradual (turnaround), beneficiado também pela expectativa de queda da em 2026.


Itaú Unibanco (ITUB4): liderança em rentabilidade e controle de risco

O Itaú Unibanco, que divulgará seus resultados no dia 4 de novembro, deve manter a liderança entre os bancões em termos de rentabilidade e crescimento sustentável.

Segundo o Goldman Sachs, o banco deve apresentar lucro líquido recorrente de R$ 11,9 bilhões, o que representa alta de 3% no trimestre e 12% na comparação anual. O retorno sobre patrimônio (ROE) deve atingir 23,3%, um dos maiores níveis do setor.

A margem financeira líquida (NII) deve crescer 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pelo aumento das margens de passivos e pela estabilidade no custo do crédito. As receitas com tarifas também devem subir, refletindo maior atividade em mercados de capitais, gestão de ativos e cartões.

As provisões para perdas com crédito devem permanecer em linha com o guidance para o ano, reforçando a consistência do modelo de risco do Itaú. Já o UBS BB projeta lucro de R$ 11,9 bilhões, com ROE de 23,2%, destacando leve expansão de margens e estabilidade na qualidade dos ativos.

Analistas avaliam que o Itaú segue com gestão de risco eficiente, maior de receitas e melhor equilíbrio entre crédito, seguros e negócios de investimento — fatores que devem garantir a manutenção de rentabilidade elevada mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.


Banco do Brasil (BBAS3): pressão com crédito rural e provisões elevadas

O Banco do Brasil encerrará a temporada dos grandes bancos no dia 12 de novembro, e as expectativas são mais cautelosas. O Itaú BBA estima lucro de R$ 4,3 bilhões e ROE de 9%, refletindo o impacto da deterioração da carteira de crédito, especialmente em agronegócio e pequenas e médias empresas (PMEs).

A instituição deve sentir o efeito direto das provisões mais elevadas e do aumento da inadimplência rural, agravada pelos problemas climáticos na região Sul e pela dificuldade de pagamento dos produtores.

A Genial Investimentos projeta um cenário ainda mais conservador, com lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, queda de 9,4% no trimestre e de 64% em 12 meses, além de um ROE de 7,4%, bem abaixo do custo de capital. Para 2025, a corretora reduziu suas estimativas de lucro para R$ 21,2 bilhões, ante R$ 25,7 bilhões anteriormente, apontando que a recuperação será lenta e gradual.

O Goldman Sachs prevê lucro recorrente de R$ 3,8 bilhões, queda de 60% na base anual. A margem financeira líquida deve mostrar leve melhora, mas insuficiente para compensar o peso das provisões, que permanecem elevadas neste trimestre. A XP Investimentos acredita que o BB ainda enfrentará um cenário desafiador até o fim do ano, mas poderá mostrar recuperação no quarto trimestre, à medida que as renegociações de crédito rural avancem.


Panorama geral: o que o mercado deve observar

Os resultados do terceiro trimestre devem evidenciar o descompasso entre os grandes bancos. O Itaú e o Bradesco devem reforçar o bom momento operacional, enquanto Santander e Banco do Brasil enfrentam desafios pontuais.

Analistas destacam três pontos de atenção:

  1. Custo do crédito — A inadimplência no agronegócio e entre PMEs segue pressionando as provisões, especialmente para o Banco do Brasil e, em menor escala, o Bradesco.

  2. Margens financeiras — A expectativa de estabilidade da Selic e o início de um ciclo de cortes podem afetar a rentabilidade no curto prazo, mas favorecer a expansão do crédito.

  3. Eficiência operacional — Bancos que conseguiram reduzir custos, modernizar sistemas e ampliar receitas não financeiras (como seguros e tarifas) devem se destacar.

Em resumo, a temporada deve reforçar o predomínio do Itaú em rentabilidade, a recuperação gradual do Bradesco, a resiliência moderada do Santander e as dificuldades do Banco do Brasil diante da deterioração do crédito rural.

Mesmo com um cenário de crescimento econômico limitado, os grandes bancos seguem como pilares de estabilidade na Bolsa e devem continuar oferecendo resultados sólidos, ainda que com trajetórias distintas de curto prazo.

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