As investigações da Polícia Federal indicam que o esquema criminoso associado ao Banco Master operava por meio de quatro núcleos estruturados, todos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os detalhes constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4).
Segundo a investigação, o esquema teria sido organizado em quatro frentes distintas: um núcleo financeiro responsável pelas fraudes no sistema financeiro, um núcleo de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores do Banco Central do Brasil, além de estruturas de lavagem de dinheiro e de intimidação para obstrução de investigações.
De acordo com a decisão judicial, as provas reunidas — incluindo mensagens, documentos e rastreamento de fluxos financeiros — indicam uma atuação estruturada e com divisão de tarefas típica de organizações criminosas.
Núcleo financeiro estruturava as fraudes
O chamado núcleo financeiro seria responsável por criar e executar as operações consideradas fraudulentas no sistema financeiro.
Segundo a Polícia Federal, esse grupo estruturava contratos simulados e movimentações financeiras para transferir recursos e sustentar as atividades investigadas.
A investigação aponta que Vorcaro teria papel central na organização dessas operações, supervisionando a estratégia financeira e a execução das transações.
Núcleo de corrupção institucional mirava o Banco Central
Outro eixo do esquema seria o núcleo de corrupção institucional, voltado à aproximação com servidores públicos ligados ao Banco Central.
Segundo os investigadores, as reuniões com funcionários do órgão regulador ultrapassavam os encontros institucionais comuns entre executivos de bancos e autoridades públicas.
A decisão do STF menciona trocas de mensagens nas quais servidores pediam orientação a Vorcaro sobre:
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condução de reuniões institucionais
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elaboração de documentos estratégicos
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abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias
Em um dos episódios citados, um servidor teria enviado ao banqueiro uma imagem de sua nomeação publicada no Diário Oficial, recebendo uma mensagem de congratulação.
Lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial
O terceiro núcleo identificado pela Polícia Federal seria responsável por ocultar patrimônio e lavar recursos.
A estrutura teria utilizado empresas interpostas e operações financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro e ocultar a origem de valores movimentados pelo grupo.
Esse modelo, segundo a investigação, criava camadas de transações e empresas que dificultariam a identificação do destino final dos recursos.
Núcleo de intimidação e obstrução de Justiça
O quarto núcleo apontado pela investigação seria responsável por intimidar pessoas consideradas adversárias e tentar obstruir investigações.
Entre os alvos monitorados estariam concorrentes, ex-funcionários e jornalistas.
A decisão judicial também menciona registros que indicariam que Vorcaro teria tido acesso antecipado a informações sobre diligências policiais, o que teria permitido monitorar procedimentos e autoridades envolvidas nas investigações.
Defesa nega acusações
A defesa de Vorcaro afirmou que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que tem colaborado com as investigações.
Os advogados também negaram as acusações atribuídas ao banqueiro e declararam confiar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.
Segundo a defesa, Vorcaro mantém confiança no devido processo legal e no funcionamento das instituições.