O Banco do Brasil (BBAS3) deve ser o único grande banco brasileiro a registrar queda no lucro líquido no terceiro trimestre de 2025, segundo relatório divulgado pelo Bradesco BBI nesta quarta-feira (16). A casa de análise prevê que o setor bancário, de forma geral, apresente resultados sólidos no período, mas com pressão sobre o BB devido ao aumento das provisões para perdas e menor contribuição da Previ, fundo de pensão dos funcionários da estatal.
Projeção de lucro menor para o BBAS3
De acordo com os analistas Marcelo Mizrahi e Eric Ito, o Banco do Brasil deve reportar lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, representando queda de 14,9% em relação ao trimestre anterior e um tombo expressivo de 66,2% na comparação anual.
Mesmo com avanço de 4,9% na receita total, impulsionado pelo aumento da margem de juros e expansão da carteira de crédito, o crescimento das provisões em 8% e o aumento das despesas operacionais devem pesar sobre o resultado final.
O relatório também cita o menor impacto positivo da Previ — que historicamente contribui de forma relevante para o lucro do banco — e uma alíquota de imposto mais elevada, fatores que tendem a intensificar a queda do lucro antes de impostos, projetada em 9,6%.
Itaú, Santander e Nubank devem ter desempenho melhor
O cenário previsto para o Banco do Brasil contrasta com o desempenho esperado dos demais bancos.
Para o Itaú (ITUB4), o Bradesco BBI estima um lucro líquido de R$ 11,8 bilhões, avanço de 2,4% no trimestre e 10,4% em 12 meses. O crescimento será sustentado por receitas de tarifas e seguros, embora parte dos ganhos seja compensada pelo aumento de despesas salariais devido ao acordo coletivo.
O Santander Brasil (SANB11) deve apresentar lucro líquido de R$ 3,7 bilhões, alta de 1,1% no trimestre e 0,9% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado deve ser apoiado pelo aumento de juros com clientes e pela redução das provisões, compensando a deterioração no resultado de tesouraria causada pela trajetória da Selic.
Já o Nubank (ROXO34) é apontado como um dos destaques do trimestre, com projeção de lucro líquido de US$ 728 milhões, representando crescimento de 14,3% no trimestre e 31,5% em um ano. A instituição digital deve se beneficiar da queda do custo de funding no México e do aumento da carteira de crédito.
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Pressões específicas sobre o Banco do Brasil
O Bradesco BBI ressalta que, apesar do bom controle de custos e da expansão consistente da carteira, o Banco do Brasil enfrenta desafios adicionais. Entre eles estão o aumento da inadimplência em alguns segmentos, a redução do resultado da Previ e a maior carga tributária.
Além disso, o banco vem sendo alvo de percepções de interferência política, especialmente após a notícia de que pode participar de um empréstimo bilionário para socorrer os Correios, o que também contribuiu para o recuo recente das ações do BBAS3 na B3.
O relatório do BBI aponta ainda que o cenário de Selic em queda pode aliviar o custo de captação no médio prazo, mas os efeitos positivos ainda devem ser sentidos apenas a partir de 2026.
Inter deve crescer, mas abaixo das expectativas
O Inter (INBR32) deve registrar lucro líquido de R$ 340 milhões, crescimento de 8% em relação ao trimestre anterior e de 40,2% em doze meses, segundo o BBI. Ainda assim, o número é 6,4% abaixo do consenso de mercado.
A corretora destaca que o banco digital deve manter bom ritmo de expansão da carteira e margens melhores, mas com pressão de provisões e despesas operacionais.
Perspectivas para o setor bancário
No panorama geral, o Bradesco BBI vê o setor financeiro com fundamentos sólidos, mas alerta que o Banco do Brasil (BBAS3) deve seguir como o mais pressionado entre os grandes bancos no curto prazo.
Os analistas acreditam que o foco do investidor deve se voltar para eficiência operacional, custo de risco e rentabilidade ajustada, pontos em que o BB ainda apresenta desafios frente aos concorrentes privados.
O relatório conclui que, embora o banco mantenha indicadores robustos de capital e uma carteira diversificada, a volatilidade dos resultados e o risco político continuam a limitar a atratividade da ação no curto prazo.