O Bradesco (BBDC4) tem sido um dos grandes destaques da Bolsa em 2025. As ações preferenciais do banco acumulam valorização próxima de 70% no ano, refletindo uma combinação de recuperação operacional, melhor geração de capital e otimismo crescente dos investidores com o setor financeiro brasileiro.
Com o resultado do terceiro trimestre (3T25) programado para ser divulgado em 29 de outubro, a expectativa do mercado é alta. Analistas enxergam espaço para melhora nos indicadores de rentabilidade e margens, enquanto investidores tentam responder à pergunta que domina o mercado: ainda vale a pena investir em Bradesco depois da disparada?
Revisões positivas e otimismo entre analistas
Na última semana, o Goldman Sachs elevou a recomendação do Bradesco (BBDC4) de “venda” para “neutra”, com revisão no preço-alvo de R$ 15 para R$ 17. O banco norte-americano justificou a decisão citando geração de capital acima das expectativas e melhoria na margem de juros líquida (NIM), além de resultados mais consistentes nas operações de seguros.
Segundo o relatório do Goldman, o ciclo de recuperação do Bradesco parece mais sólido desta vez, sustentado por controle de inadimplência, redução de custos operacionais e avanço na digitalização dos serviços — um dos principais pilares da nova gestão.
Esses fatores explicam parte da forte valorização recente das ações, que voltaram a atrair investidores institucionais e pessoas físicas após um longo período de desempenho abaixo dos pares, como Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3).
O impacto da nova gestão
O otimismo também é compartilhado por gestores de fundos brasileiros. Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital, considera o Bradesco (BBDC4) uma boa aposta para quem busca exposição de longo prazo no setor bancário.
“Após a chegada de Marcelo Noronha ao comando, vimos uma transformação real — e não apenas no discurso. Há um esforço visível em melhorar eficiência, investir em tecnologia, reduzir custos e retomar rentabilidade. É um processo de turnaround que já começou a se materializar”, afirmou.
Utsch acrescenta que o ciclo de crédito mais favorável e a possível queda da Selic a partir de 2026 devem impulsionar ainda mais os resultados do banco, fortalecendo o crescimento das carteiras de empréstimos e reduzindo o custo de captação.
Fundamentos e indicadores atraentes
Do ponto de vista fundamentalista, o Bradesco mantém múltiplos considerados atrativos. O preço sobre lucro (P/L) está ao redor de 8,5 vezes, indicando que o mercado ainda enxerga espaço para valorização. Já a relação preço/valor patrimonial (P/VPA) está em 1,1 vez — patamar levemente acima de 1, mas ainda próximo ao considerado “justo” para grandes bancos.
O dividend yield (retorno com dividendos) do Bradesco é de 7,56%, o que reforça seu apelo para investidores que buscam renda passiva e estabilidade em momentos de volatilidade.
No cenário técnico, analistas apontam que a tendência de alta de BBDC4 deve continuar no médio prazo, com suporte importante na região dos R$ 14,50 e resistência em R$ 18,50.
O que dizem as casas de análise
Segundo levantamento da Reuters, a recomendação média para Bradesco (BBDC4) segue positiva. Entre os analistas consultados, seis têm recomendação de compra (sendo duas de compra forte) e cinco são neutros, sem qualquer recomendação de venda.
O preço-alvo médio projetado é de R$ 18,93, o que representa um potencial de valorização de cerca de 10% em relação à cotação atual — um desempenho considerado sólido para um grande banco tradicional.
Ainda há espaço para subir
Mesmo após a disparada de quase 70% no ano, o Bradesco (BBDC4) ainda apresenta fundamentos sólidos, margens em recuperação e perspectivas positivas para 2026, especialmente com o ciclo de queda dos juros e o ambiente de crédito mais saudável.
Para investidores de longo prazo, o papel continua sendo uma posição defensiva interessante, com bom histórico de dividendos, forte presença no varejo e potencial de crescimento gradual.
No entanto, após a forte alta recente, o momento exige cautela com pontos de entrada: novas compras devem considerar correções pontuais no preço ou movimentos de realização de lucros no curto prazo.
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