A Oncoclínicas (ONCO3) comunicou nesta terça-feira (18) que o valor investido em CDBs do Banco Master, no total de R$ 433 milhões, teve vencimento antecipado após a liquidação extrajudicial do banco decretada pelo Banco Central. A medida acontece no mesmo dia em que o presidente do Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Segundo fato relevante, R$ 217 milhões já haviam sido provisionados no balanço da empresa em 30 de setembro, diante do rebaixamento da nota de crédito do Master entre setembro e outubro. Com isso, a exposição contábil líquida atual é de aproximadamente R$ 216 milhões.
As ações ONCO3 caíram forte após o anúncio e chegaram a entrar em leilão. Por volta das 15h, o papel recuava 3,86%, cotado a R$ 1,99, após bater mínima de R$ 1,89.
Recompra de ações e vencimento antecipado
A Oncoclínicas já havia confirmado em outubro que parte significativa de seu caixa estava aplicada em papéis do Banco Master. Na época, a empresa informou que R$ 478 milhões estavam comprometidos, com um acordo de resgate parcelado em 20 vezes até 2027.
Esse mesmo contrato previa cláusulas de vencimento antecipado em caso de determinados eventos — como a própria liquidação do banco — tornando o montante automaticamente exigível.
Além disso, havia uma negociação em curso para que o valor dos CDBs fosse usado na recompra de ações ONCO3 detidas por dois fundos de investimento: Tessália FIP e Quíron FIP, veículos utilizados pelo Banco Master para investir cerca de R$ 1 bilhão na companhia em 2024.
Com a liquidação decretada e o vencimento antecipado dos títulos, a Oncoclínicas afirma que tomará as medidas cabíveis para exercer a opção de compra das cotas desses fundos. O valor estimado da recompra, considerando o fechamento de ONCO3 na véspera, é de R$ 203 milhões.
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