A Oncoclínicas (ONCO3) confirmou nesta quarta-feira (22) que possui R$ 478 milhões aplicados em CDBs do Banco Master, instituição financeira que enfrenta dificuldades e tem sido alvo de atenção do mercado. O comunicado oficial detalha que a empresa chegou a um acordo para o resgate parcelado desses recursos, a ser realizado em 20 parcelas entre outubro de 2025 e maio de 2027.
O novo cronograma de devolução foi definido após uma renegociação entre a companhia e o banco, que já havia participado de um aumento de capital de R$ 1 bilhão na Oncoclínicas (ONCO3) em 2024. Apesar do risco elevado associado à instituição, o documento informa que a taxa de remuneração dos CDBs foi mantida, embora os detalhes sobre valores e indexadores não tenham sido divulgados.
Oncoclínicas (ONCO3) e Banco Master chegam a acordo de resgate
Segundo o fato relevante encaminhado à CVM, a Oncoclínicas (ONCO3) também conseguiu incluir cláusulas de vencimento antecipado no contrato, que permitem o resgate integral dos valores em determinadas situações. Esses “gatilhos” dão à empresa mais segurança em caso de novos episódios de instabilidade financeira no Banco Master.
A companhia ainda revelou que o acordo prevê a possibilidade de utilizar parte do saldo dos CDBs para recomprar ações próprias em posse de dois fundos de investimento — o Tessália Fundo de Investimento em Participações e o Quíron Fundo de Investimento em Participações. Ambos são controlados pelo Banco Master e participaram do aporte bilionário realizado no ano passado.
De acordo com o comunicado, a execução dessa operação dependerá de três condições principais:
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Conclusão de uma negociação que libere as cotas dos FIPs;
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Ocorrência de um evento de vencimento antecipado;
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Aprovação da operação pelos acionistas em assembleia.
Contexto financeiro e repercussão no mercado
A relação entre a Oncoclínicas (ONCO3) e o Banco Master tem sido alvo de questionamentos desde 2024, quando a empresa realizou seu segundo aumento de capital com forte participação da instituição. O episódio gerou dúvidas no mercado sobre a alocação de recursos do caixa em ativos de risco, especialmente diante da crise de liquidez que atingiu o banco ao longo de 2025.
Em setembro, a Oncoclínicas (ONCO3) aprovou um terceiro aumento de capital bilionário, o que reacendeu preocupações entre analistas e investidores sobre a estrutura financeira da companhia. A operação foi vista como necessária para reforçar o caixa, mas também levantou dúvidas sobre a dependência de fontes de financiamento externas.
Uma fonte consultada pelo Money Times afirmou que o cronograma de saques vinha sendo cumprido “com pequenos atrasos”, mas de forma regular. O acompanhamento é feito de perto pela administração da Oncoclínicas, que busca mitigar riscos e preservar liquidez.
Performance das ações ONCO3
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) acumulam forte queda desde o aporte do Banco Master em 2024. Na época, os papéis foram precificados a R$ 13,00 no aumento de capital, mas atualmente são negociados em torno de R$ 2,05 na B3 — uma desvalorização superior a 80%.
A deterioração dos preços reflete a percepção negativa do mercado quanto à exposição ao Banco Master e às incertezas sobre a capacidade de execução do plano de crescimento da companhia. Ainda assim, a Oncoclínicas segue sendo uma das principais redes privadas de tratamento oncológico do país, com presença em 35 cidades e parceria com grandes hospitais.
Próximos passos
A empresa afirma que continuará monitorando o desempenho do Banco Master e reforça que a renegociação visa garantir o recebimento integral dos recursos aplicados sem comprometer suas operações. O acordo, segundo a administração, representa um “movimento prudente de gestão de caixa” em um cenário de instabilidade financeira.
Com isso, a Oncoclínicas (ONCO3) busca reduzir o impacto da exposição ao banco e demonstrar ao mercado que adota medidas concretas de governança e transparência. A companhia não informou se pretende revisar suas aplicações financeiras futuras, mas fontes indicam que há discussões internas sobre a diversificação das reservas de caixa.