O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial do Will Bank, formalmente registrado como Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. A medida ocorre por extensão da liquidação do Banco Master, determinada em novembro de 2025.
Segundo o Banco Central, a decisão foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira, pela insolvência da instituição e pelo vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master” sobre o Will Bank. O ato foi assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.
Por que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank
A liquidação extrajudicial do Will Bank amplia os efeitos do processo iniciado contra o Banco Master, considerado insolvente pelo regulador. De acordo com o Banco Central, a situação financeira do Will Bank tornou-se insustentável em razão da ligação direta de controle com o grupo Master.
A autoridade monetária avalia que, diante desse vínculo e do comprometimento patrimonial, não havia mais condições de recuperação da instituição. Por isso, optou pelo encerramento definitivo das atividades, com retirada do banco do Sistema Financeiro Nacional.
Esse tipo de medida é adotado quando o BC conclui que a continuidade da instituição colocaria em risco credores e o próprio funcionamento do sistema.
O que muda para os investidores do Will Bank
Com a decretação da liquidação extrajudicial do Will Bank, os CDBs emitidos pela instituição passam a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF.
O FGC já iniciou os pagamentos relacionados aos CDBs do Banco Master e deve estender o ressarcimento aos investidores do Will Bank conforme o andamento do processo. Até o momento da publicação desta reportagem, o fundo não havia se manifestado oficialmente sobre prazos específicos para esses pagamentos.
Segundo dados divulgados pelo próprio FGC, cerca de R$ 40,6 bilhões deverão ser pagos a aproximadamente 800 mil investidores do conglomerado, no maior processo de ressarcimento já realizado no país.
Nomeação do liquidante e bloqueio de bens
O Banco Central nomeou como liquidante a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., a mesma responsável pela liquidação do Banco Master. A empresa ficará encarregada de administrar os ativos e passivos da instituição, além de conduzir o processo de encerramento.
Como consequência direta da liquidação, tornam-se indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores do Will Bank. Entre os nomes citados pelo BC estão Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen, além das holdings ligadas ao grupo Master. Também tiveram bens bloqueados os ex-administradores Felipe Felix Soares de Sousa e Ricardo Saad Neto.
O que é a liquidação extrajudicial e por que ela foi adotada
A liquidação extrajudicial é um regime aplicado quando o Banco Central considera que a situação de uma instituição financeira é irrecuperável. Nesse modelo, as operações são imediatamente interrompidas, os dirigentes perdem o mandato e os bens dos responsáveis ficam bloqueados.
Esse regime difere da administração especial temporária, conhecida como Raet, em que o banco segue operando enquanto passa por um processo de reestruturação. No caso do Will Bank, o BC avaliou que essa alternativa não era mais viável.
Inicialmente, quando decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025, o regulador optou por preservar o Will Bank sob regime temporário, diante da expectativa de venda do negócio. A negociação, porém, não se concretizou.
O que era o Will Bank antes da liquidação
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank atuava como banco digital. Segundo dados do Banco Central, a instituição encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões.
Em setembro, o banco mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não possuía depósitos à vista. Esses números ajudam a dimensionar o tamanho da instituição e os riscos associados à sua operação.
Impactos no mercado e no sistema financeiro
Antes mesmo do anúncio oficial da liquidação extrajudicial do Will Bank, a bandeira Mastercard deixou de aceitar transações realizadas com cartões emitidos pela instituição, após operações não terem sido honradas junto a participantes do arranjo de pagamentos.
A Mastercard também executou garantias relacionadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista Westwing e no Banco de Brasília (BRB), conforme informações divulgadas anteriormente.
Liquidação extrajudicial do Will Bank
A liquidação extrajudicial do Will Bank encerra um capítulo importante do caso que envolve o conglomerado do Banco Master e reforça a atuação do Banco Central para conter riscos e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
Para os investidores, o foco agora se volta ao cronograma de pagamentos do FGC e ao andamento do processo conduzido pelo liquidante. Para o mercado, o episódio serve como alerta sobre riscos de governança, controle e concentração em conglomerados financeiros.