Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Reag, envolvida nos casos PCC e Master

Segundo o BC, a medida foi motivada por graves violações às normas do sistema financeiro; gestora já havia sido alvo de operações da Polícia Federal.
liquidação extrajudicial da Reag

O do decretou nesta quinta-feira (15) a da Reag, formalmente registrada como CBSF DTVM, gestora que vinha sendo citada em investigações envolvendo supostos braços do Primeiro Comando da Capital (PCC) no e, mais recentemente, no caso do Banco Master.

Segundo o Banco Central, a decisão foi assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e “foi motivada por graves violações às normas” que regem as atividades das instituições financeiras. Com isso, a Reag deixa de operar, e seus controladores e ex-administradores passam a ter os bens tornados indisponíveis.

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O que levou à liquidação extrajudicial da Reag

A liquidação extrajudicial da Reag ocorre em um contexto de aprofundamento das investigações que cercam a atuação da gestora. O movimento do Banco Central acontece após o fundador e ex-executivo da Reag , João Carlos Mansur, se tornar alvo de uma nova fase de uma megaoperação da Polícia Federal, voltada a apurar fraudes relacionadas ao .

Essa investigação apura a suposta de créditos fraudulentos pela instituição financeira. Na primeira fase da operação, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, chegou a ser preso um dia antes da liquidação do banco, mas foi posteriormente solto.

Na noite de quarta-feira (14), Galípolo teve uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O conteúdo do encontro não foi detalhado oficialmente.

Histórico de investigações envolvendo a Reag

Não é a primeira vez que a Reag aparece no radar das autoridades. No ano passado, a gestora já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, que investigava suspeitas de lavagem de dinheiro associadas ao PCC por meio do setor de combustíveis.

Embora o Banco Central não detalhe publicamente todas as irregularidades apuradas, a autarquia reforçou que continuará adotando todas as medidas cabíveis dentro de suas competências legais. Em comunicado, o BC afirmou que o resultado das apurações pode levar à aplicação de sanções administrativas adicionais e ao envio de informações às autoridades competentes.

O que significa a liquidação extrajudicial na prática

A liquidação extrajudicial é um instrumento usado pelo Banco Central quando uma instituição apresenta falhas graves, como violações regulatórias, problemas de gestão ou comprometimento de sua situação econômico-financeira. Nesse regime, as atividades são encerradas e um liquidante é nomeado para conduzir o processo.

No caso da liquidação extrajudicial da Reag, o liquidante designado é Antonio Pereira de Souza, da APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo. Ele já atuou em processos semelhantes, como a liquidação do Banco Bamerindus.

Como consequência direta, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, e o liquidante passa a administrar os ativos e passivos da instituição.

Relevância da Reag no sistema financeiro

A Reag atuava como uma instituição de pequeno porte e de baixa relevância sistêmica. Em 2025, a corretora ocupava a 56ª posição no ranking de câmbio do Banco Central, com participação de 0,081% do volume financeiro total e 0,14% do número de operações de câmbio realizadas no país.

Esses números ajudam a dimensionar o impacto da liquidação para o como um todo, que, segundo o BC, permanece estável.

Outra liquidação anunciada no mesmo dia

Além da Reag, o Banco Central também decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio. Segundo a autarquia, a decisão se deu por “grave comprometimento da situação econômico-financeira” e “graves violações às normas legais”.

O BC informou que os dois processos não têm relação entre si.

Conclusão

A liquidação extrajudicial da Reag marca mais um desdobramento relevante no conjunto de investigações que envolvem o mercado financeiro nos últimos meses. Embora a instituição tivesse baixa relevância sistêmica, o caso reforça o endurecimento da atuação regulatória do Banco Central diante de suspeitas de irregularidades graves.

O andamento das apurações administrativas e criminais deve continuar no radar do mercado e das autoridades.

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