FGC começa a pagar investidores do Banco Master: quem recebe primeiro?

Ordem de pagamento não depende do valor aplicado nem da data do investimento, mas do avanço do processo e da ação do próprio investidor.
FGC começa a pagar investidores

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está prestes a iniciar o pagamento dos que tinham CDBs no Banco Master, liquidado em 18 de novembro. A previsão é que os depósitos comecem ainda nesta semana ou no início da próxima, segundo informações divulgadas pelo Valor Investe.

Ao todo, o deve desembolsar cerca de R$ 41 bilhões, beneficiando aproximadamente 1,6 milhão de investidores, com saldo médio de R$ 25 mil por CPF. A principal dúvida entre os aplicadores, no entanto, não é apenas quando o dinheiro cairá na conta, mas quem recebe primeiro.

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Não existe exatamente uma “fila” de pagamento

Diferentemente do que muitos investidores imaginam, o FGC não organiza os pagamentos com base no valor aplicado ou na data do investimento. Não há prioridade para quem investiu mais nem para quem aplicou antes.

Segundo o próprio fundo, o que define a ordem prática dos pagamentos é o avanço de três etapas operacionais. Enquanto elas não são concluídas, nenhum ressarcimento é feito, independentemente do perfil do investidor.

Na prática, isso significa que o pagamento acontece à medida que o processo é destravado — e que a iniciativa do próprio investidor faz diferença.


As três etapas que liberam o dinheiro

O primeiro passo é o envio da lista de credores pelo liquidante do banco. No caso do Banco Master, essa função cabe à EFB Regimes Especiais de , responsável por encaminhar ao FGC a relação final de investidores e os valores a serem ressarcidos, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

Depois disso, o FGC precisa abrir seu sistema para o público. Só após receber e validar essa base de dados é que o fundo libera o ambiente para que os investidores façam a solicitação da garantia.

A terceira etapa é a manifestação do investidor. O pagamento só ocorre depois que a pessoa entra no sistema do FGC e solicita formalmente o ressarcimento. Por isso, na prática, recebe primeiro quem se manifesta primeiro, desde que seus dados já estejam corretos e validados.


Como funciona o pagamento na prática

Para pessoas físicas, todo o processo é feito pelo aplicativo do FGC, que já está disponível para download. O investidor pode, inclusive, realizar um cadastro básico antes mesmo do início oficial dos pagamentos.

Quando a lista de credores for carregada no sistema, o investidor conseguirá visualizar o valor a receber e deverá assinar digitalmente o termo de solicitação. Após a assinatura e a validação dos dados bancários, o FGC realiza o depósito em até 48 horas úteis, diretamente na conta do titular.

No caso das pessoas jurídicas, o procedimento ocorre pelo site do FGC. Após a análise dos documentos, o termo é enviado para assinatura digital, e o pagamento segue o mesmo prazo.


O impacto do atraso sobre o rendimento dos CDBs

Um ponto importante para quem tinha CDBs do Banco Master é que os rendimentos ficaram congelados desde 18 de novembro, data da liquidação da instituição pelo Banco Central.

Isso significa que o FGC pagará o valor investido mais os juros acumulados apenas até essa data. A partir dali, não há correção adicional pela Selic, pelo ou pelo . Na prática, quanto maior o atraso no pagamento, menor será a efetiva do investimento quando comparada ao CDI do período total.

Em cenários de demora prolongada, um que prometia, por exemplo, 120% do CDI pode acabar entregando algo próximo de 100% do CDI no acumulado final, justamente porque o dinheiro fica “parado” após a liquidação.

Um exemplo citado pelo Valor mostra que um investidor que aplicou em janeiro de 2025 teria obtido 11,99% líquidos até novembro. Se o pagamento ocorrer em janeiro, o rendimento efetivo do período total cairia para cerca de 101,3% do CDI, apesar da promessa inicial maior.


Pagamentos do FGC traz alívio

O início dos pagamentos do FGC traz alívio para os investidores do Banco Master, mas também deixa uma lição importante sobre risco, liquidez e o impacto do tempo em de renda fixa.

Quem se manifestar primeiro, com dados corretos e dentro do sistema, tende a receber antes. Já o retorno final dependerá não apenas da taxa contratada, mas do tempo em que o dinheiro ficou imobilizado após a liquidação do banco.

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