O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, afirmou nesta terça-feira (24) que o órgão já tinha conhecimento de possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master antes de 2022 e que abriu diversos processos de apuração relacionados ao caso.
A declaração foi feita durante depoimento ao grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, responsável por supervisionar as investigações sobre o conglomerado financeiro.
CVM abriu 24 processos ligados ao Master
Segundo Accioly, a autarquia instaurou 24 processos que investigam negociações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Ele afirmou que a CVM identificou relatórios com ressalvas sobre o banco e que as apurações vêm sendo conduzidas desde antes de 2022.
Apesar disso, o presidente interino reconheceu que a escassez de recursos humanos e tecnológicos tem dificultado maior celeridade nas investigações.
“O pessoal trabalha além da capacidade máxima. Há muitos servidores que têm atuação exaustiva. Há recursos tecnológicos que precisam ser feitos”, declarou.
Falta de estrutura atrasa conclusão
Durante o depoimento, Accioly ressaltou que o volume de processos e a limitação estrutural da CVM impactam diretamente o tempo de tramitação dos casos.
A fala ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o Master, após a liquidação extrajudicial do conglomerado e as operações conduzidas pela Polícia Federal.
Debate sobre transparência em fundos
O presidente interino também defendeu maior transparência na divulgação de informações sobre cotistas de fundos de investimento.
Ele questionou o modelo atual, comparando com a exigência de divulgação de sócios em empresas.
“Por que o fundo não tem os cotistas abertos? É algo que deve, no mínimo, ser debatido”, afirmou.
A declaração abre discussão sobre possível revisão regulatória no mercado de capitais, especialmente no contexto das investigações relacionadas ao caso Master.