BRB (BSLI4) despenca mais de 20% após plano de capital ligado ao caso Banco Master

Ações preferenciais do BRB (BSLI4) caem mais de 20% após apresentação de plano de recomposição de capital ao Banco Central
BRB (BSLI4)

As preferenciais do BRB (BSLI4) registraram forte queda na B3 nesta segunda-feira (9), após o banco apresentar ao Banco Central um plano de recomposição de capital ligado às perdas decorrentes das operações com o . Por volta das 14h, os papéis preferenciais recuavam 20,71%, negociados a R$ 4,47.

Na direção oposta, as ações ordinárias apresentavam valorização, subindo cerca de 5,5%, cotadas próximas de R$ 4,33, refletindo dinâmicas distintas de percepção de risco entre classes de acionistas.

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O movimento ocorreu após a divulgação do plano ao regulador na última sexta-feira, intensificando as preocupações do mercado sobre o impacto financeiro do episódio envolvendo o Banco Master no balanço da instituição estatal.


Plano de recomposição surge após perdas ligadas ao Banco Master

O plano foi apresentado pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do Banco Central, Gilneu Vivan. O encontro contou também com a presença do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.

Segundo o banco, o documento reúne medidas preventivas que poderão ser executadas caso fique comprovada a necessidade de aporte financeiro por parte do Governo do Distrito Federal. A necessidade ou não desse suporte dependerá do avanço das investigações ainda em andamento.

Em nota oficial, o BRB afirmou que a estratégia tem como foco preservar a da instituição, garantir estabilidade operacional e manter transparência para clientes, e parceiros.

Apesar disso, o banco não divulgou valores envolvidos no plano apresentado ao regulador.


Estimativas indicam rombo bilionário

Embora não haja confirmação oficial do montante necessário para recomposição, declarações anteriores indicam a magnitude potencial do problema.

Em depoimento prestado à Polícia Federal no fim de 2025, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que operações ligadas ao Banco Master teriam provocado impacto estimado em cerca de R$ 5 bilhões no balanço do BRB.

As investigações apuram a compra de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em do Banco Master. Há suspeitas de que parte desses ativos poderia estar superfaturada ou até mesmo não existir.

O BRB afirma que cerca de R$ 10 bilhões desses ativos já foram substituídos ou liquidados e também negou bloqueios patrimoniais relacionados ao caso.


Estratégias possíveis para reforço de capital

De acordo com informações de mercado, o BRB trabalha com diferentes alternativas para reforçar sua estrutura financeira e reduzir riscos futuros.

Entre as possibilidades estudadas estão captação de recursos com outras instituições financeiras, venda de ativos considerados estratégicos, criação de veículos imobiliários com ativos do Distrito Federal, aportes diretos do governo local e operações estruturadas com apoio do Fundo Garantidor de Créditos.

Medidas que envolvem recursos públicos dependem de aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o que adiciona componente político e fiscal ao processo.


Venda de ativos já teria começado

Relatos indicam que o banco já teria iniciado um processo de venda de ativos considerados de alta qualidade, como operações de crédito consignado e antecipações do , em uma tentativa de conter saída de recursos após o agravamento do caso Banco Master.

Além disso, negociações envolvendo a venda de carteiras de a estados e municípios também estariam em andamento, podendo gerar liquidez relevante para o banco.

Outro ponto avaliado seria a alienação de adquiridos anteriormente do próprio Banco Master.


Por que a reação do mercado foi tão negativa?

A forte queda das ações preferenciais reflete principalmente três fatores. O primeiro é a incerteza sobre o tamanho real do impacto financeiro do episódio. O segundo envolve o risco de necessidade de aportes públicos, o que pode gerar diluição indireta de valor. O terceiro é o risco reputacional associado às investigações.

Ao mesmo tempo, a alta das ações ordinárias pode estar ligada à expectativa de suporte institucional do controlador público, o que reduz risco de solvência no longo prazo.

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