Ambipar (AMBP3) dispara até 26% após vitória judicial; entenda

Ações da Ambipar (AMBP3) disparam após prorrogação de medida cautelar que suspende cobranças. Veja contexto jurídico
Ambipar (AMBP3)

As ações da Ambipar (AMBP3) voltaram a ser destaque na B3 nesta segunda-feira (27), disparando até 26% durante a manhã, após a companhia obter uma nova judicial no processo de reestruturação financeira. Por volta das 10h55, os papéis subiam 23%, cotados a R$ 0,32, refletindo o otimismo momentâneo do mercado diante da decisão favorável.

A euforia, no entanto, ocorre sobre uma base de preços muito baixa, o que potencializa as variações diárias. Como lembra o relatório do Money Times, uma oscilação de R$ 0,01 em cotadas a R$ 0,10 representa variação de 10%, o que torna movimentos bruscos comuns em empresas em recuperação judicial.

Publicidade: Banner Header – Meio do post

Ambipar (AMBP3) conquista prorrogação da medida cautelar

Na noite da última sexta-feira (24), a Ambipar anunciou que a 3ª Vara Empresarial do decidiu prorrogar a medida cautelar que suspende execuções e cobranças contra a companhia e suas afiliadas.

Segundo o fato relevante divulgado pela empresa, os efeitos da decisão se estendem “até que sejam esclarecidos determinados fatos considerados necessários pelo Juízo para que possa ser proferida uma decisão em relação ao processamento do pedido de ”.

A medida dá à Ambipar fôlego temporário para reorganizar suas obrigações financeiras e negociar com credores, em meio a um processo judicial que corre simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos.

Caso o pedido de recuperação judicial (RJ) seja aceito, a empresa poderá apresentar um plano formal de pagamento e evitar a execução imediata de suas — um passo crucial para tentar preservar seus contratos e operações.


Acusações de “forum shopping” e disputa jurídica

Apesar da decisão favorável, o processo da Ambipar (AMBP3) é alvo de fortes críticas de seus credores, que acusam a empresa de praticar “forum shopping” — quando uma companhia escolhe um foro judicial mais conveniente para seus interesses.

Segundo a petição apresentada pelos principais bancos credores, o site da Ambipar teria incluído um endereço no Rio de Janeiro apenas em setembro, poucos dias antes da concessão da medida cautelar.

“Houve manobra de forum shopping, pois o grupo simulou ter seu principal estabelecimento nesta Comarca do Rio de Janeiro, quando, na realidade, todo o centro decisório e operacional está localizado em e Nova Odessa”, diz o documento dos credores.

Entre os maiores credores estão o Santander (R$ 663 milhões), Banco do Brasil (R$ 352 milhões), Banco do Nordeste (R$ 207 milhões), Deutsche Bank (R$ 188 milhões), Bradesco (R$ 165 milhões), Daycoval (R$ 109 milhões), Scania (R$ 77 milhões) e ABC Brasil (R$ 56 milhões).

A soma das dívidas com bancos chega a cerca de R$ 2 bilhões, enquanto as debêntures totalizam R$ 3 bilhões e os bonds internacionais, a maior fatia, representam bilhões de reais emitidos no exterior.


Ambipar defende a competência do Rio de Janeiro

Em resposta, a Ambipar argumenta que o critério de competência para o pedido de recuperação judicial não deve se limitar ao endereço da holding, mas ao local de maior relevância econômica do grupo.

“A definição do principal estabelecimento deve observar o local onde se desenvolve a principal da sociedade, e não simplesmente a sede formal constante do contrato social”, afirma a empresa.

Segundo a companhia, o Rio de Janeiro concentra as operações de suas subsidiárias mais lucrativas, especialmente aquelas ligadas aos segmentos ambiental e de resposta a emergências, responsáveis por contratos estratégicos com empresas do e gás nas bacias de Campos e Santos.

No segundo trimestre de 2025, o segmento Environment registrou receita líquida de R$ 1,03 bilhão, enquanto o segmento Response somou R$ 738,7 milhões — ambos essenciais para o desempenho operacional da Ambipar.


Situação financeira e desafios à frente

De acordo com fontes ouvidas pelo Money Times, a recuperação judicial pode ser um erro estratégico, já que a empresa estaria em situação de fragilidade de ativos, tendo vendido parte de seus equipamentos e optado por modelos de locação, o que a tornaria mais vulnerável a perder contratos relevantes.

Um gestor ouvido pela reportagem avalia que a companhia poderia ter optado por uma recuperação extrajudicial, evitando a repercussão negativa e a complexidade do processo formal.

“Há um risco grande de perda de contratos e deterioração operacional. A Ambipar está fragilizada, mas as dívidas são pulverizadas, o que reduz o impacto sobre os bancos. O provisionamento já é suficiente para lidar com essa RJ”, afirmou.


Alívio temporário, incerteza persistente

A vitória judicial trouxe alívio momentâneo e reacendeu o otimismo dos investidores com a Ambipar (AMBP3), mas o cenário ainda é delicado. A prorrogação da medida cautelar não resolve os problemas estruturais de endividamento e governança enfrentados pela companhia.

A decisão da Justiça do Rio de Janeiro apenas adiou o embate com os credores, que continuam questionando a legitimidade do foro e pressionando por garantias de pagamento.

Enquanto isso, a ação da Ambipar segue sob forte volatilidade, atraindo investidores de perfil mais especulativo — e refletindo o dilema de uma empresa que tenta equilibrar sustentabilidade, dívida e sobrevivência financeira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.