Os reajustes da conta de luz voltaram a pressionar o bolso do consumidor em 2025. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou em novembro um aumento de 21,76% para os consumidores residenciais da CEEE Equatorial, no Rio Grande do Sul, e já havia autorizado um reajuste de 14,11% para a RGE em junho.
Ambos são percentuais muito superiores à inflação de 4,59% registrada nos últimos 12 meses na região metropolitana de Porto Alegre.
Por que os reajustes ficaram tão altos?
Os aumentos refletem principalmente custos não gerenciáveis pelas distribuidoras — como compra de energia, encargos setoriais e transmissão (TUST/TUSD-Fio A). Essas despesas subiram com força ao longo de 2025, impulsionadas por:
• aumento dos custos de geração;
• elevação dos encargos setoriais;
• orçamento maior da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE);
• queda nos reservatórios e acionamento de bandeiras tarifárias mais caras.
Segundo a própria Aneel e especialistas do setor, mesmo que as distribuidoras reduzissem despesas operacionais, o impacto seria limitado diante da pressão estrutural dos custos do setor elétrico.
Pressão extra após lei sancionada por Lula
A CDE — um dos principais componentes da conta de luz — atingiu em 2025 um orçamento de R$ 49,2 bilhões, R$ 8,6 bilhões acima do previsto.
Esse aumento inclui as novas isenções e descontos sancionados pelo presidente Lula em maio para programas como Tarifa Social, geração renovável e iniciativas de universalização. Como a CDE é financiada principalmente pela tarifa de energia, seu crescimento tem efeito direto nos reajustes.
Por que o aumento da CEEE foi maior que o da RGE?
A diferença entre as duas distribuidoras tem explicação técnica:
• Compra de energia: maiores custos e componentes financeiros pressionaram a tarifa da CEEE.
• Enchentes no RS: impactos ainda serão incorporados no cálculo tarifário da CEEE.
• Créditos tributários: a RGE reduziu quase sete pontos percentuais do reajuste graças a créditos de PIS/Cofins.
• Diferença contratual: a CEEE já opera sob o modelo Proret-A, enquanto a RGE só muda seu contrato em 2027.
O que esperar daqui para frente?
Os custos estruturais do setor elétrico indicam que a conta de luz deve seguir pressionada.
A falta de capacidade de armazenamento da energia renovável — hoje desperdiçada em momentos de excesso de produção — obrigou o governo a planejar o primeiro leilão de baterias em 2026, com implantação prevista a partir de 2028. A expectativa é reduzir a volatilidade da geração e aliviar pressões futuras sobre tarifas.
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