Mais auxílios vão encarecer a conta de luz dos consumidores

Com novos subsídios, a MP 1304 deve adicionar R$ 7 bi à CDE e encarecer a conta de luz dos consumidores, mesmo com sobra de energia limpa.
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O tem energia limpa de sobra — 85% da matriz é renovável — e, ainda assim, a conta de luz dos consumidores segue entre as mais altas do mundo.
A aprovação da MP 1304, relatada por Eduardo Braga (MDB-PA), reforça o paradoxo: mais incentivos, mais custos, mais distorções — e, no fim, mais peso na fatura de quem consome.


Quando sobra energia, mas falta direção

A MP foi aprovada em ritmo acelerado no Congresso.
Ela amplia o limite de consumo de energia isento para famílias de baixa renda, subindo de 70 para 80 megawatts-hora (MW).
Mas, entre a boa intenção e a prática , o texto ganhou um pacote de benefícios a setores que nada têm de vulneráveis.

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Um deles é o carvão mineral, a fonte mais poluente do planeta, que teve seus subsídios prorrogados até 2040.
O projeto também incluiu compensações financeiras a usinas solares e eólicas obrigadas a desligar parte da produção em horários de sobra de energia — um problema de planejamento que o Congresso preferiu resolver com dinheiro do contribuinte.


Um sistema que paga até pelo que não usa

O Brasil já produz energia suficiente para suprir quase o dobro da demanda, mas a falta de sincronia entre oferta e consumo gera desperdício.
Quando o sol está forte ou o vento sopra demais, parte das usinas precisa parar para não sobrecarregar o sistema.
Mesmo paradas, elas são remuneradas — e o custo vai direto para a (Conta de Desenvolvimento Energético), o fundo que concentra todos os subsídios do setor.

A nova MP deve acrescentar R$ 7 bilhões à conta da CDE, que já soma R$ 49,2 bilhões previstos para 2025.
Até setembro, o gasto acumulado era de R$ 39,2 bilhões.
É um sistema que se retroalimenta: quanto mais subsídios são criados, mais cara fica a energia, e menos se discute a eficiência do modelo.


Por que a conta de luz dos consumidores só sobe

A (GD) — painéis solares e pequenas usinas — cresceu 46% entre 2023 e 2025, saltando de 60 GW para 88 GW.
O consumo, por outro lado, avançou apenas 7%.
A abundância de energia deveria reduzir preços, mas, por decisões políticas, acontece o oposto.

Em vez de revisar incentivos antigos, o congelou o teto da CDE e manteve a estrutura como está.
Ou seja: as distorções ficam, os custos crescem e o sistema se torna ainda mais ineficiente.
Com cada nova medida, a conta de luz dos consumidores reflete não o custo da energia, mas o peso da política.


Como essa conta chega até você

O impacto não é imediato, mas é inevitável.
Os novos encargos são embutidos nas das distribuidoras e aparecem nas faturas nos ciclos seguintes de reajuste.
Segundo estimativas do setor, o efeito combinado da MP pode adicionar entre 3% e 5% ao preço final pago por famílias e pequenos em 2025.

Enquanto o Congresso mantém os incentivos e posterga soluções, o paga por energia que não consome e por políticas que não o beneficiam diretamente.
O setor elétrico, que poderia ser um exemplo de eficiência global, segue como espelho de um modelo que prefere agradar lobbies a corrigir distorções.


A conta política da energia

O veto presidencial à ampliação de subsídios para usinas a gás ainda será analisado nas próximas semanas.
Mesmo que seja mantido, pouco deve mudar.
Os incentivos, uma vez criados, raramente são revistos — e quando são, já deixaram cicatrizes no orçamento e no bolso da população.

O Brasil vive o paradoxo de ter energia limpa, abundante e cara.
E a MP 1304 é mais um capítulo dessa novela que o consumidor financia sem ser personagem principal.

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