PIB do Brasil fica estável e cresce 0,1% no 3º trimestre, mostra IBGE

PIB do Brasil cresce apenas 0,1% no 3º trimestre, segundo IBGE. Economia perde força com juros altos e desaceleração do consumo das famílias.
PIB do Brasil

O do praticamente parou de crescer no terceiro trimestre de 2025. A economia avançou apenas 0,1%, segundo dados divulgados pelo IBGE, movimentando R$ 3,2 trilhões entre julho e setembro. O número confirma a perda de ritmo que já vinha aparecendo desde o segundo trimestre, quando o país havia registrado alta de 0,4%.

Apesar da desaceleração, o desempenho não chega a configurar retração — mas mostra uma que encontra dificuldades para ganhar tração em meio a juros altos e demanda enfraquecida.

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Setores da economia: crescimento desigual

O resultado do PIB reflete comportamentos bastante distintos entre os setores. A Agropecuária cresceu 0,4%, mantendo um ritmo moderado após um primeiro semestre de forte desempenho. A Indústria teve alta de 0,8%, impulsionada principalmente pela produção extrativa e de bens intermediários.

Já o setor de Serviços, responsável por mais de 70% da economia brasileira, ficou praticamente parado, crescendo apenas 0,1%. Como o setor é o maior empregador do país, sua estagnação ajuda a explicar por que a economia como um todo teve dificuldade para avançar.

No comparativo com o mesmo trimestre de 2024, o comportamento é mais robusto: o PIB cresceu 1,8%, puxado pelo salto de 10,1% da Agropecuária, pela alta de 1,7% na Indústria e pelo avanço de 1,3% nos Serviços.


Consumo das famílias perde força

A desaceleração no consumo das famílias foi um dos fatores mais relevantes do trimestre. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o segue caro, reduzindo a capacidade das famílias de consumir, financiar compras e até renegociar .

Mesmo com o desemprego baixo, o consumo cresceu apenas 0,1%, contra avanços maiores observados ao longo de 2025. O impacto da Selic aparece com força nesse indicador: a renda até cresce, mas boa parte dela é drenada pelo custo do crédito.

Em sentido contrário, o consumo do cresceu 1,3%, ajudando a sustentar parte da demanda interna.


Investimentos retomam após queda

Os investimentos, que haviam caído no trimestre anterior, voltaram ao campo positivo e avançaram 0,9%. A melhora sugere que começaram a retomar projetos represados, embora o nível ainda seja considerado baixo para sustentar um novo ciclo de crescimento econômico.

A taxa elevada de juros continua sendo um obstáculo, mas setores como infraestrutura, energia e agronegócio mostraram sinais de recuperação na formação bruta de capital fixo.


Exportações impulsionam o PIB

O setor externo foi um ponto positivo importante. As exportações cresceram 3,3%, beneficiadas por maior volume embarcado de petróleo, minério de ferro, produtos agrícolas e derivados metálicos.

As importações, por sua vez, voltaram a crescer após meses de quedas, mas de forma tímida, com alta de 0,3% — reflexo direto do consumo mais fraco no mercado interno.


O que o resultado revela sobre a economia brasileira

O trimestre mostra um país que não está em recessão, mas encontra dificuldade para acelerar. O quadro pode ser resumido assim:

  • A economia não está andando para trás, mas também não está ganhando velocidade.

  • O crédito caro limita consumo e investimento.

  • A Agropecuária continua puxando o PIB, mas seu efeito é sazonal.

  • A Indústria melhora, mas ainda longe de um ciclo forte.

  • Serviços — o coração da economia — está praticamente parado.

A expectativa agora gira em torno de 2026: o mercado espera que a política monetária comece a destravar gradualmente a ao longo do próximo ano.

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