O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (10) a fusão entre as redes de pet shop Petz (PETZ3) e Cobasi, formando um negócio com faturamento combinado estimado em R$ 7 bilhões. A aprovação foi condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC), que exige desinvestimento de ativos, especialmente no estado de São Paulo, onde há maior concentração de unidades das duas marcas.
Remédios estruturais e comportamentais
O ACC prevê não apenas a venda de lojas para garantir a concorrência em mercados locais, mas também remédios comportamentais, ainda não divulgados publicamente. A decisão foi tomada com base no voto do conselheiro-relator José Levi Mello do Amaral Jr., que defendeu o acordo como uma solução aceitável diante da realidade do setor.
“Pode não ser perfeito, mas o ótimo é inimigo do bom. Me parece um bom ACC”, afirmou o relator, referindo-se à melhoria do cenário concorrencial com os compromissos assumidos pelas empresas.
A conselheira Camila Cabral foi a única a divergir, apontando falhas metodológicas nos estudos do Departamento de Estudos Econômicos (DEE) do Cade e alegando que os problemas concorrenciais persistem mesmo após o pacote de medidas.
Petlove tentou barrar fusão
A Petlove, terceira maior varejista do setor, participou como terceira interessada no processo e chegou a pedir a reprovação da fusão. Recentemente, a empresa mudou de postura, indicando flexibilidade. Inclusive, afirmou ao Cade que seria uma “candidata natural” à aquisição dos ativos desinvestidos, considerando sua estrutura e atuação online.
Outras empresas também demonstraram interesse nos ativos a serem vendidos, o que poderá estimular maior competitividade e amenizar os efeitos da concentração de mercado.
Divergência entre áreas técnicas do Cade
A decisão do tribunal administrativo do Cade contraria parecer anterior da Superintendência-Geral, que havia aprovado a operação sem restrições em junho. Um recurso fez com que o caso fosse julgado pelo plenário.
O presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, acompanhou o relator e destacou a robustez do acordo alcançado: “Temos não só remédios estruturais, mas um pacote comportamental duro”.
Consolidação sob escrutínio
A fusão entre Petz e Cobasi representa um passo relevante na consolidação do varejo pet no Brasil, mas também levanta preocupações sobre a concentração de mercado. A exigência de venda de ativos e medidas comportamentais são uma tentativa de equilibrar os interesses comerciais das empresas com a preservação da concorrência e do bem-estar do consumidor.