O mercado de ações brasileiro vive um momento de movimentação intensa com o anúncio acelerado de dividendos extraordinários no Brasil em 2026. Com a nova legislação que prevê tributação de 10% sobre dividendos a partir de 2026, empresas listadas buscam antecipar pagamentos para evitar o impacto fiscal.
Panorama dos dividendos extraordinários e antecipação por empresas brasileiras antes da nova tributação
Nos últimos meses, diversas empresas brasileiras listadas em bolsa adiantaram o pagamento de dividendos extraordinários. Essa movimentação acontece porque a partir de 2026 haverá a cobrança de 10% de imposto sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês. Muitas companhias querem aproveitar o momento para distribuir lucros antes da nova tributação. Dividendos extraordinários representam uma parte dos lucros das empresas que são distribuídos além dos dividendos regulares. Desde novembro, o mercado já registrou anúncios que somam cerca de R$ 35,7 bilhões nesses pagamentos.
Além disso, outros R$ 33,1 bilhões foram anunciados em dividendos ordinários que também podem ter sido antecipados para evitar a nova lei. Empresas como Itaú, Vale e Petrobras estão entre as maiores pagadoras, com R$ 23,4 bilhões, R$ 15,3 bilhões e R$ 12,2 bilhões, respectivamente. Setores variados, como imobiliário, também mostram força nesse movimento, com companhias como Even, Trisul e Eztec oferecendo yields de até 9,6%.
Impacto no mercado acionário e perspectivas
O BTG Pactual destacou que muitas empresas ainda têm reservas lucrativas que podem ser usadas para novos anúncios de dividendos. O total de lucros e reservas ao fim do terceiro trimestre ultrapassava R$ 548 bilhões. Isso cria um cenário onde o volume de dividendos pode continuar elevado nas próximas semanas.
Para o mercado de ações, a antecipação dos dividendos pode trazer efeitos positivos. Parte desses recursos tende a ser reinvestida na bolsa, ajudando a manter o valuation e o volume médio diário de negócios — atualmente em cerca de R$ 24 bilhões. Também é importante lembrar que a nova lei permite flexibilidade para pagar dividendos declarados em 2025 até 2028, podendo amenizar impactos no mercado.