Com o avanço da reforma do Imposto de Renda no Congresso, grandes empresas brasileiras estão se preparando para distribuir dividendos extraordinários ainda em 2025, segundo um levantamento do BTG Pactual. O objetivo é antecipar pagamentos antes que a nova alíquota de 10% sobre lucros entre em vigor em 2026 — uma mudança que marca o fim da isenção vigente há quase 30 anos.
De acordo com o relatório, o cenário atual cria uma janela de oportunidade para companhias com caixa robusto, lucros acumulados e baixa alavancagem. O banco mapeou 20 empresas com forte probabilidade de anunciar dividendos extraordinários relevantes nos próximos meses, abrangendo setores como construção civil, energia, telecomunicações, petróleo, metais e bens de consumo.
Por que as empresas estão antecipando dividendos extraordinários
A proposta de reforma do Imposto de Renda aprovada pela Câmara — e atualmente em discussão no Senado — cria uma taxação de 10% sobre dividendos pagos a pessoas físicas e investidores estrangeiros. A cobrança será aplicada a partir de 1º de janeiro de 2026, sobre valores acima de R$ 50 mil por mês.
Mas há uma exceção importante: dividendos declarados ainda em 2025, com base em lucros atuais ou reservas acumuladas, continuarão isentos. Além disso, as empresas poderão pagar esses dividendos de forma parcelada, entre 2026 e 2028, sem perder o benefício fiscal.
“Essa brecha no texto da reforma cria um forte incentivo para antecipar a distribuição de dividendos extraordinários”, explica o BTG Pactual. “As companhias querem garantir a isenção antes que a nova regra reduza a atratividade para os acionistas.”
As 20 ações com maior potencial de dividendos extraordinários
Segundo o levantamento do BTG Pactual, as seguintes empresas estão mais bem posicionadas para anunciar pagamentos extraordinários antes da mudança tributária:
| Empresa | Ticker | Yield Extraordinário Estimado |
|---|---|---|
| Eztec | EZTC3 | 17% |
| Direcional | DIRR3 | 13% |
| Cyrela | CYRE3 | 9–10% |
| Lavvi | LAVV3 | >10% |
| Copel | CPLE6 | 14% |
| Isa Energia | ISAE4 | 13% |
| Energisa | ENGI11 | 11% |
| Eletrobras | ELET3 | 10% |
| Unifique | FIQE3 | 19% |
| Intelbras | INTB3 | 13% |
| TIM | TIMS3 | 12% |
| Metalúrgica Gerdau | GOAU4 | 20% |
| Gerdau | GGBR4 | >10% |
| Usiminas | USIM5 | >10% |
| Irani | RANI3 | >10% |
| Ambev | ABEV3 | >10% |
| Marcopolo | POMO4 | 18% |
| C&A | CEAB3 | >10% |
| Blau | BLAU3 | >10% |
| PetroReconcavo | RECV3 | 8–13% |
Segundo o BTG, os setores com maior probabilidade de distribuição extraordinária são os de materiais básicos, energia elétrica, telecomunicações, construção civil e bens industriais — todos caracterizados por baixo endividamento e geração de caixa robusta.
Setor por setor: onde estão as maiores oportunidades
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Materiais básicos: A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e a Gerdau (GGBR4) lideram o ranking, com alto caixa e baixa alavancagem, seguidas por Usiminas (USIM5), que deve equilibrar pagamentos com novos investimentos.
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Papel e celulose: A Irani (RANI3) pode surpreender com yield superior a 30% se distribuir todas as reservas acumuladas.
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Energia elétrica: Copel (CPLE6) e Eletrobras (ELET3) aparecem com potencial de 10% a 14% de rendimento, beneficiadas pela forte geração operacional.
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Óleo e gás: A PetroReconcavo (RECV3) é destaque com yield de até 13%, sustentada pela alta nos preços do petróleo e disciplina financeira.
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Imobiliário: As construtoras Eztec (EZTC3), Direcional (DIRR3), Lavvi (LAVV3) e Cyrela (CYRE3) podem anunciar distribuições entre 9% e 17%, aproveitando lucros expressivos e endividamento controlado.
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Telecom e tecnologia: TIM (TIMS3), Unifique (FIQE3) e Intelbras (INTB3) devem se destacar por rentabilidade sólida e estrutura de capital leve.
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Bens de capital: Marcopolo (POMO4) e Mills (MILS3) podem render até 20%, com grande geração de caixa operacional.
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Saúde e consumo: Blau (BLAU3), Ambev (ABEV3) e C&A (CEAB3) estão entre as favoritas, com espaço para repassar lucros acumulados aos investidores.
BTG vê espaço para “pair trades” e alerta sobre riscos
O relatório do BTG também menciona oportunidades em “pair trades”, estratégia que envolve a compra de ações de empresas propensas a pagar dividendos extraordinários e a venda de companhias que, por limitações financeiras, não poderão fazer o mesmo.
O banco ressalta, porém, que nem todas as empresas conseguirão antecipar pagamentos, seja por falta de reservas de lucros, alavancagem elevada ou necessidade de preservar caixa para investimentos futuros.
“A lista de potenciais pagadoras é longa, mas seletiva. As companhias com balanços saudáveis e governança sólida sairão na frente. As demais precisarão priorizar liquidez”, afirma o relatório.
Conclusão: uma corrida contra o tempo
Com a nova tributação à vista, o mercado deve assistir a uma corrida pela distribuição de dividendos extraordinários nos últimos meses de 2025. Para o investidor, isso significa uma janela rara de oportunidades de rendimento elevado — especialmente em empresas com histórico de governança e disciplina financeira.
O BTG Pactual conclui que a combinação entre lucros robustos, baixo endividamento e pressa fiscal cria o ambiente perfeito para uma temporada antecipada de proventos recordes.