Mesmo após anunciar uma bonificação bilionária, as ações da Cyrela (CYRE3) despencaram nesta quarta-feira (10), com queda superior a 7% no pregão da B3. O movimento pegou de surpresa parte do mercado, já que a proposta envolvia a distribuição de ações preferenciais especiais e demonstrava esforço da companhia em gerar valor aos acionistas.
Por volta das 13h30 (horário de Brasília), os papéis da empresa recuavam 7,74%, cotados a R$ 32,34, figurando entre as maiores baixas do dia no Ibovespa.
Bonificação atrativa, mas com impacto limitado no curto prazo
A proposta da construtora inclui uma bonificação de R$ 2,49 bilhões em reservas de lucros, por meio da emissão de 72,8 milhões de ações preferenciais especiais, que serão distribuídas gratuitamente aos atuais acionistas.
Segundo análise da XP Investimentos, essas ações poderiam representar um dividend yield adicional de 19%, sem afetar a saúde financeira da empresa. A estrutura proposta permite a conversão desses papéis em ações ordinárias até 2028, mantendo a flexibilidade e o alinhamento com os interesses dos investidores.
Ainda assim, o mercado reagiu negativamente — mas o motivo principal não está relacionado à bonificação em si.
O verdadeiro motivo da queda: ex-dividendos
A forte desvalorização de Cyrela (CYRE3) nesta sessão está ligada ao fato de que os papéis passaram a ser negociados “ex-dividendos”.
Na semana passada, a empresa aprovou a distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos intermediários, o equivalente a R$ 2,7299 por ação. O pagamento está programado para esta sexta-feira (12), com direito a investidores posicionados até o fechamento de ontem.
Como consequência, as ações agora são negociadas sem o direito a esse provento — um evento que, por si só, provoca queda no preço nominal do ativo, refletindo o valor distribuído.
Cyrela segue na corrida contra a tributação
A bonificação e os dividendos fazem parte da estratégia da empresa para antecipar retornos aos acionistas diante da iminente tributação de 10% sobre dividendos, que entra em vigor em 2026.
Somando os dois anúncios recentes, a Cyrela vai devolver aproximadamente R$ 3,5 bilhões aos acionistas, o que representa um dividend yield de 26%, segundo a XP.
Mercado aquecido com anúncios de proventos
A Cyrela não está sozinha nessa maratona de distribuição. A antecipação da nova tributação tem acelerado anúncios em diversas empresas da B3. Segundo o BTG Pactual, mais de R$ 68 bilhões já foram divulgados desde o início de novembro.
Nos últimos dias, além da Cyrela, outras companhias também anunciaram pagamentos relevantes, como:
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Telefônica Brasil (VIVT3): proposta de devolução de capital de R$ 4 bilhões;
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Banrisul (BRSR6): JCP de R$ 150 milhões;
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Ambev (ABEV3): novos dividendos e JCP;
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Tenda (TEND3): programa de recompra de até 2 milhões de ações;
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SYN Prop e Tech (SYNE3): R$ 64 milhões em dividendos aprovados.