A crise da Raízen (RAIZ4) mobilizou o governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de articulações para tentar evitar que a companhia entre em recuperação judicial, diante do agravamento da situação financeira da gigante do açúcar e etanol.
A reunião ocorreu em Brasília pouco antes do Carnaval e reuniu acionistas, bancos e integrantes da equipe econômica. O movimento evidencia a preocupação com os efeitos econômicos e sistêmicos de uma eventual reestruturação judicial da empresa.
Governo entra em campo para conter crise da Raízen (RAIZ4)
Participaram das conversas representantes da Cosan, da Shell e do BTG Pactual, além do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do BNDES.
A Raízen é considerada estratégica para o setor de biocombustíveis e para a agenda de transição energética do país. Por isso, o governo acompanha de perto as negociações.
Segundo interlocutores, o objetivo imediato é evitar um cenário de recuperação judicial, que poderia afetar credores, fornecedores e o mercado de crédito corporativo.
Negociações incluem aporte e venda de ativos
Após a reunião, as tratativas avançaram para incluir um plano de capitalização, venda de ativos e reestruturação do balanço.
A empresa enfrenta pressão de liquidez, mas manteve o pagamento de juros de bonds em dólar, desembolsando cerca de US$ 33,5 milhões recentemente.
Entre as alternativas discutidas estão novos aportes dos controladores e possíveis desinvestimentos. Uma eventual venda de ativos para a Petrobras chegou a ser cogitada, mas não avançou até o momento.
BNDES exige plano concreto antes de eventual ajuda
Internamente, técnicos do BNDES avaliam que qualquer apoio depende da apresentação de um plano robusto de capitalização por parte dos acionistas.
O banco de fomento não pretende assumir protagonismo sem que os controladores demonstrem compromisso financeiro claro com a estabilização da companhia.
Ao mesmo tempo, agências de rating rebaixaram a nota de crédito da Raízen, e seus títulos sofreram forte desvalorização no mercado secundário.
Risco sistêmico no radar
O mercado acompanha de perto os desdobramentos porque a Raízen tem peso relevante no setor de energia, açúcar e etanol.
Uma solução negociada pode restaurar a confiança e reduzir a volatilidade das ações RAIZ4. Já um fracasso nas tratativas aumentaria o risco sistêmico, pressionando o crédito corporativo e a cadeia produtiva ligada aos biocombustíveis.
Por enquanto, as discussões seguem entre São Paulo e Londres, enquanto investidores monitoram os próximos passos da companhia.