Um tiroteio em frente à sede do Bradesco, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, zona oeste de São Paulo, causou pânico entre funcionários e transeuntes na manhã desta segunda-feira.
Segundo a Polícia Militar, o ataque ocorreu por volta das 9h, quando um homem em uma motocicleta disparou ao menos cinco tiros contra a fachada envidraçada do edifício, fugindo em seguida pela Marginal Pinheiros.
Os disparos atingiram três andares do prédio, incluindo o quinto, onde funcionam áreas corporativas e administrativas. Nenhum funcionário foi ferido, mas o som dos tiros e os estilhaços de vidro geraram correria e fechamento temporário do quarteirão.
“Foi um caos. Todo mundo no saguão se jogou no chão, achando que era um atentado”, disse um funcionário de uma corretora vizinha, que preferiu não se identificar.
A Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), assumiu o caso.
A investigação avalia três linhas de apuração: tentativa de intimidação, retaliação relacionada a questões financeiras e crime aleatório.
Fontes apontam pressão e disputas internas
Fontes com acesso às investigações indicaram que o atentado pode estar relacionado a dívidas pessoais de executivos com agiotas e operadores informais do mercado paralelo de crédito.
Segundo essas fontes, há indícios de que funcionários ligados ao setor corporativo e ao braço de investimentos do banco estariam enfrentando pressão para quitar valores significativos acumulados em apostas e operações não registradas.
“Não há confirmação oficial, mas a polícia investiga a hipótese de o ataque ter sido uma forma de intimidação”, disse uma fonte ligada à área de segurança pública.
Essa linha de investigação ainda é tratada como hipótese preliminar, sem comprovação material.
O Banco Bradesco informou, em nota, que “colabora integralmente com as autoridades competentes” e que “nenhum colaborador foi ferido”.
O banco reforçou que “todas as medidas de segurança e contingência foram acionadas imediatamente”.
Ataque expõe vulnerabilidade de zonas corporativas
O tiroteio trouxe à tona uma preocupação recorrente entre especialistas em segurança: a exposição de executivos e instituições financeiras a ameaças externas em regiões de alta concentração econômica, como a Faria Lima e a Berrini. Nas últimas semanas, a ligação do PCC com instituições financeiras têm chamado atenção por causa de investigações da Receita Federal.
Segundo o criminologista João Silva, da USP, casos recentes mostram que “o crime organizado e o submundo financeiro estão mais próximos das estruturas corporativas do que se imagina”.
“Os grandes centros de negócios se tornaram alvos simbólicos. Um ataque assim, mesmo que isolado, causa pânico e afeta a sensação de segurança do mercado”, afirma Silva.
B3 e bancos reforçam vigilância
Após o episódio, instituições vizinhas — incluindo sedes da XP, BTG Pactual e Banco Itaú — reforçaram protocolos de segurança e orientaram funcionários a adotar o regime híbrido de trabalho temporário.
A B3 (Bolsa de Valores) informou que acompanha o caso “com atenção” e que mantém contato direto com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para avaliar riscos à região.
Câmeras e perícia
O Deic já solicitou imagens de câmeras de segurança de ao menos cinco prédios da avenida.
Fontes ligadas à investigação afirmam que o suspeito utilizava uma motocicleta sem placa visível e vestia capacete fechado e roupa escura, o que dificulta a identificação.
A perícia recolheu projéteis de calibre 9mm, compatíveis com pistolas automáticas de uso restrito.
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