Banco Pleno tem disparada em taxas de CDBs após crise do Grupo Master; entenda

Banco Pleno tem CDBs com taxas acima de 160% do CDI após a crise do Grupo Master. Entenda os riscos
Banco Pleno

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Pleno registraram uma disparada nas taxas oferecidas no mercado secundário nos últimos dias. O movimento ocorre na esteira da liquidação extrajudicial do Grupo Master, do qual o Banco Pleno fazia parte até setembro. Em meio à crise, os papéis da instituição chegaram a oferecer até 165% do , número muito acima do padrão de mercado, acendendo o alerta entre analistas e .


Relação com o Banco Master pressiona papéis

O Banco Pleno, antigo Banco Voiter, é controlado por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ambos presos recentemente na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Embora o Pleno tenha deixado oficialmente o conglomerado do Grupo Master antes da liquidação, o impacto reputacional permanece forte.

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No dia do anúncio da liquidação do Master, as taxas dos CDBs do dispararam, chegando a 165% do CDI. Desde então, houve leve recuo, com os papéis sendo negociados atualmente por cerca de 130% do CDI. A movimentação mostra que o mercado continua receoso com a instituição, mesmo ela não sendo alvo direto das investigações.


Títulos de curto prazo com taxas incomuns

Segundo Pedro Ávila, analista da Varos Research, o mercado começou a negociar os papéis do Banco Pleno a preços muito inferiores aos da emissão original, especialmente os de vencimento mais curto. Isso resultou em taxas significativamente mais altas no mercado secundário, um indicativo de baixa liquidez e desconfiança sobre o risco de crédito da instituição.

Enquanto isso, CDBs de longo prazo da instituição, com vencimento em 2030, ofereciam taxas menores, em torno de 115% do CDI. Esse descompasso — títulos de curto prazo com rentabilidade maior que os de longo — é atípico e evidencia o receio dos investidores de manterem seus recursos na instituição.


Posição do Banco Pleno

Procurado, o Banco Pleno informou que não é alvo da operação Compliance Zero e que segue operando normalmente. A instituição afirma atuar em conformidade com as regras do Sistema Financeiro Nacional e manter práticas rigorosas de compliance e prevenção à .

Segundo nota oficial, “não há qualquer participação do Banco Pleno nos fatos apurados” e “a instituição assegura a continuidade de todos os seus serviços e o cumprimento de todas as suas obrigações”.


Riscos e cautela para investidores

Mesmo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobrindo aplicações até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, especialistas recomendam cautela. Para Carlos Castro, planejador financeiro e presidente da Superico, as altas taxas oferecidas pelo Banco Pleno indicam um risco elevado de crédito.

“Quando você encontra CDBs pagando acima de 150% do CDI, não é só uma boa oportunidade — é um sinal de alerta”, afirma Castro. “Pode haver risco real de insolvência. O investidor precisa entender que rentabilidade acima da média traz risco proporcional.”

Castro também destaca que, para se proteger, o investidor deve sempre respeitar o limite do e evitar concentração excessiva de recursos em instituições com histórico recente de crise ou envolvimento em investigações.


Custo de captação em alta e impacto futuro

De acordo com dados do Banco Central, o custo de captação do Banco Pleno já vinha subindo. Até junho deste ano, os gastos com sobre operações de captação já somavam R$ 913,3 milhões, praticamente o dobro do que era registrado em março. O passivo de depósitos a prazo também recuou, de R$ 5,8 bilhões para R$ 5,3 bilhões no segundo trimestre, o que pode indicar dificuldade na retenção de investidores.

Essa elevação no custo de capital deve continuar caso o mercado mantenha a percepção de risco, pressionando a sustentabilidade da instituição no médio prazo.

A disparada nas taxas dos CDBs do Banco Pleno reflete uma combinação de fatores: rescaldo da crise no Grupo Master, investigações em curso e maior aversão ao risco por parte dos investidores. Mesmo que o banco afirme estar em conformidade com todas as exigências regulatórias, o momento pede cautela. A rentabilidade elevada pode parecer atraente, mas carrega consigo riscos que não podem ser ignorados.

O que aconteceu com o Banco Master?

Vorcaro foi alvo de uma operação que mira a venda de títulos de créditos falsos — ou seja, o  emitia CDBs com promessa de pagar ao cliente taxas muito maiores do que as oferecidas pelo mercado. No entanto, esse retorno era irreal.

Segundo as investigações:

  • O emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs, um tipo de título financeiro) prometendo  acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
  • Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
  • O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao  – que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para “socorrer” o caixa do Banco Master.
  • Essas  aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master – e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o  do DF.

A prisão aconteceu horas após o consórcio liderado pelo grupo de investimento Fictor Holding Financeira anunciar a compra do Banco Master.

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