Banco do Brasil vê 2026 desafiador após lucro cair 45% em 2025

Banco do Brasil vê 2026 desafiador após lucro cair 45% em 2025. BB projeta crescimento moderado, cautela no crédito e recuperação gradual do agronegócio.
Banco do Brasil

O Banco do anunciou um resultado financeiro impactado em 2025, com líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões, queda de cerca de 45,4% em relação ao ano anterior. A instituição projeta 2026 como um período desafiador, com crescimento moderado nos principais indicadores e expectativa de recuperação gradual a partir do segundo semestre.

A informação foi detalhada pela do BB, Tarciana Medeiros, durante teleconferência de resultados com analistas e . Segundo ela, a trajetória de recuperação em 2026 dependerá da normalização da situação do agronegócio — setor que apresentou forte deterioração de crédito em 2025 — e de uma estratégia criteriosa de concessão de crédito.

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Desempenho do lucro e projeções para 2026

O resultado de R$ 20,7 bilhões foi afetado pela piora em produtos de crédito, agravada pelo desempenho do agronegócio. Para o próximo ano, o banco projeta lucro líquido entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, o que representa um crescimento entre 6,3% e 25,6%, comparado ao desempenho de 2025.

A margem financeira — que representa a diferença entre receitas de juros e custos de captação — deve avançar de 4% a 8% em 2026, com expectativa de crescimento das receitas de prestação de serviços em torno de 2% a 6%. A carteira de crédito total do BB deve crescer entre 0,5% e 4,5%, e as provisões para devedores duvidosos (PDD) devem ficar em cerca de 53 bilhões de reais.


Estratégia cautelosa na concessão de crédito

Medeiros destacou que o Banco do Brasil seguirá com gestão estratégica e cautela na concessão de crédito, especialmente no segmento de pessoas físicas. No segmento de Private Banking — voltado para clientes de — a intenção é manter foco e expandir a atuação, com maior ênfase no segmento de crédito para alta renda incluindo cartões de crédito de maior valor agregado.

O banco já negocia a expansão de sua presença no agronegócio com cerca de 230 novas praças comerciais, numa tentativa de recuperar o desempenho em um setor que enfrentou adversidades em 2025.


Agronegócio: desafio e recuperação esperada

O agronegócio foi um dos principais motores da queda de lucro do Banco do Brasil em 2025. A inadimplência nesse segmento avançou de 2,23% no início de 2024 para 3,06% no fim de 2025, revelando dificuldades de pagamento por parte de produtores rurais.

Durante a teleconferência, Felipe Prince, CRO (Chief Risk Officer), explicou que a inadimplência deve mostrar melhora gradativa a partir do segundo semestre de 2026, apoiada pela Medida Provisória 1.314, que autoriza o uso de recursos do BNDES para renegociação de ívidas rurais. Segundo Prince, o BB trabalha para reduzir riscos na carteira agrícola e recuperar qualidade de crédito ao longo do ano.


Estratégias operacionais e de crescimento

Segundo o CFO Marco Geovanne Tobias, a trajetória de recuperação ainda não tem formato definido, podendo ser um “W” ou uma “escada”, dependendo da evolução de indicadores macroeconômicos e de inadimplência.

“Temos que estar preparados para evoluir de forma gradual”, afirmou Tobias, destacando que ajustes no portfólio, em garantias e matriz de receitas vão continuar a fazer parte da estratégia do banco.

Além disso, o Banco do Brasil anunciou uma proposta para liderar o segmento de crédito consignado, especialmente para servidores públicos. A meta é alcançar ao menos 20% de participação no mercado de consignado privado, impulsionada pela isenção de nesse tipo de operação, que pode agregar até R$ 28 bilhões à carteira de crédito de pessoas físicas.


Cenário macroeconômico e perspectivas do BB

O cenário econômico ainda impõe desafios para o banco. Com o ambiente macroeconômico mais fraco e a recuperação do agronegócio apenas a partir do segundo semestre de 2026, o manterá foco em produtos de maior qualidade de crédito, mitigação de riscos e expansão prudente de carteiras lucrativas.

Segundo Tarciana Medeiros, a instituição segue com disciplina estratégica para enfrentar um ano desafiador e construir bases sólidas para crescimento sustentável: “Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e resiliência operacional, fortalecimento de garantias, matriz de receitas equilibrada e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro”.

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