O Banco do Brasil (BBAS3) divulga nesta quarta-feira seus resultados do terceiro trimestre de 2025, encerrando a temporada de balanços dos grandes bancos do país. Depois dos números considerados sólidos do Itaú (ITUB4), a expectativa dos analistas é de que o BB enfrente maiores desafios — especialmente relacionados ao aumento da inadimplência, o que pode limitar seu desempenho neste trimestre.
Expectativas para o balanço do BBAS3
De acordo com análise da Genial Investimentos, o resultado do Banco do Brasil (BBAS3) deve vir pressionado, principalmente pelo impacto negativo da inadimplência no crédito agrícola. A instituição projeta um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, representando uma queda de 9,4% em relação ao trimestre anterior e de expressivos 64% na comparação anual.
Além disso, o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) deve recuar para 7,4%, muito abaixo do custo de capital e significativamente inferior aos principais pares do setor, como Itaú e Bradesco. Isso indicaria uma deterioração na rentabilidade da estatal.
Impactos da inadimplência no agro
O principal ponto de atenção para os analistas está no crédito rural. O setor agropecuário representa uma parcela relevante da carteira de crédito do BB, e o terceiro trimestre concentra cerca de 40% dos vencimentos da safra do ano. Com o agravamento do clima e perdas de colheitas, especialmente no Sul e Centro-Oeste, a inadimplência aumentou, comprometendo os resultados do banco.
O Goldman Sachs reforça a preocupação com esse cenário, e destaca que o desempenho até julho já indicava uma contração nos lucros, mesmo com uma possível surpresa positiva em outras linhas do balanço.
MP para renegociação pode ajudar?
A Medida Provisória 1.314, que propõe novas linhas de crédito para renegociação de dívidas do agro, é vista como um possível suporte regulatório temporário. No entanto, a Genial avalia que a efetividade da MP é limitada, especialmente se não for aprovada pelo Congresso, já que o instrumento tem validade de apenas 120 dias.
Receita líquida e margem financeira
Apesar dos desafios, há expectativa de uma melhora sequencial da margem financeira (NII), estimada em alta de +3,1% no trimestre, apoiada por custo de captação mais favorável e maior liquidez. Isso deve impulsionar os ganhos com tesouraria, embora o custo de crédito elevado deva anular parte desse efeito positivo.
Já a XP Investimentos acredita que o crescimento da carteira de crédito deve chegar a 9% na base anual, superando o limite superior do guidance do banco para 2025, que foi revisado no segundo trimestre. Isso demonstra certa resiliência na atividade bancária, mas que ainda não compensa o impacto das provisões maiores para perdas com inadimplência.