BTG corta preço-alvo de 3 ações do setor elétrico e faz alerta; veja quais são essas ações

BTG corta preço-alvo de3 ações do setor elétrico e alerta para riscos da MP 1.304, que afeta benefícios fiscais do setor
ações do setor elétrico

O setor elétrico brasileiro entrou em estado de alerta nesta semana após a publicação do parecer da Medida Provisória (MP) 1.304, que pode alterar regras de incentivos fiscais e afetar diretamente o resultado das principais distribuidoras de energia do país. O BTG Pactual reduziu suas estimativas de preço-alvo para três companhias do setor e classificou o texto da MP como negativo e aquém das expectativas.

Segundo o banco, os novos preços-alvo passam a ser:

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  • Equatorial (EQTL3): de R$ 46 para R$ 42

  • Energisa (): de R$ 66 para R$ 60

  • Neoenergia (NEOE3): de R$ 39 para R$ 36

O relatório do BTG destaca que o principal ponto de preocupação é a inclusão do repasse dos da Sudam e Sudene aos consumidores, algo que o banco vê como prejudicial para todo o ecossistema do setor.

“A inclusão de última hora do repasse do benefício Sudam e Sudene roubou a atenção e trouxe de volta um fantasma do passado. Foi um projeto de lei negativo para o setor. Esperamos mudanças no texto e algum ruído enquanto as alterações são discutidas”, escreveu a equipe de análise.


Impacto imediato nas ações

As declarações do BTG tiveram repercussão imediata no mercado. Na terça-feira (28), após a divulgação do parecer da MP, as ações das principais distribuidoras despencaram entre 2% e 3,5%.

No pregão desta quarta-feira (29), por volta das 14h30 (horário de Brasília), os papéis mostravam recuperação parcial: Equatorial +1,3%, Energisa +2% e Neoenergia +2,4%. A reflete a incerteza sobre o destino da MP no Congresso e o impacto potencial sobre os resultados financeiros das companhias.

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Entenda o benefício da Sudam e Sudene

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) foram criadas para incentivar o em regiões menos desenvolvidas. Entre os benefícios, distribuidoras de energia que operam nessas áreas pagam alíquotas reduzidas de Imposto de Renda e , em torno de 15%, bem abaixo da taxa padrão de 34%.

Esses incentivos têm sido cruciais para atrair e manter mais competitivas nas regiões Norte e Nordeste.

No entanto, segundo o BTG, a proposta de repassar diretamente esses benefícios para as tarifas pode distorcer o equilíbrio econômico-financeiro das empresas e reduzir o potencial de reinvestimento nos estados beneficiados.

O argumento político por trás da medida é a redução estimada de 2,1% nas tarifas finais, mas os analistas do BTG afirmam que a medida pode gerar o efeito oposto.

“Pelo texto, as empresas podem optar por renunciar aos benefícios para liberar seus recursos. Se for esse o caso, os consumidores não seriam beneficiados, e as concessões e os estados perderiam capex, enquanto as companhias sofreriam perdas de valor presente líquido (VPL)”, explicou o banco.


Estimativas de impacto

De acordo com o BTG, se a MP for aprovada sem mudanças, o impacto sobre as distribuidoras será significativo. O Bradesco BBI publicou análise semelhante, prevendo uma queda no valor presente líquido (VPL) das empresas entre 10% e 15%.

  • Energisa: -15% no VPL

  • Equatorial: -10% no VPL

  • Neoenergia: -15% no VPL

O relatório reforça que o repasse dos benefícios fiscais poderia comprometer a saúde financeira das companhias e gerar efeitos negativos no longo prazo, como redução de investimentos em expansão e modernização da rede elétrica.

O BTG Pactual também destacou que o setor de distribuição é um dos mais sensíveis a mudanças regulatórias e fiscais. Pequenas alterações na estrutura de incentivos podem provocar reprecificação imediata das ações, uma vez que os reavaliam a previsibilidade dos fluxos de caixa.


Perspectivas e próximos passos

Embora o mercado tenha reagido mal à primeira versão da MP, há expectativa de negociações no Congresso que possam suavizar seus efeitos. Analistas avaliam que, se o governo mantiver o diálogo com o setor privado e preservar parte dos incentivos, o impacto pode ser menor do que o inicialmente projetado.

O BTG acredita que ainda há espaço para revisão do texto, especialmente nas regras de compensação e nos mecanismos de repasse. No entanto, o banco alerta que a volatilidade das ações do setor elétrico deve permanecer elevada até que o impasse regulatório seja resolvido.

Em meio às incertezas, o setor elétrico brasileiro — tradicionalmente visto como um porto seguro para investidores — volta ao centro das atenções, com analistas revisando projeções e reavaliando o equilíbrio entre risco e retorno das empresas de energia.

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