Menos de 24 horas depois, o presidente americano anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre importações, medida que começa a valer às 2h01 (horário de Brasília) desta terça-feira (24) e pode permanecer em vigor por até 150 dias, salvo prorrogação pelo Congresso.
Para o Brasil, o cenário muda — mas não significa o fim da pressão comercial.
O que aconteceu nos últimos dias
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte decidiu que o presidente não poderia usar uma lei de emergência para aplicar tarifas amplas sobre praticamente todos os países.
Com isso, foram anuladas as chamadas tarifas “recíprocas”, que começaram em 10% em abril de 2025 e chegaram a percentuais mais elevados para alguns países, incluindo uma sobretaxa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros.
Essa é a nova tarifa que passa a valer agora.
Como o Brasil é afetado pela nova tarifa
O Brasil está entre os países atingidos pela nova tarifa global de 15%.
Na prática, a nova taxa funciona como um adicional sobre a tarifa normal de cada produto. Ou seja: mantém-se a alíquota já existente e soma-se a cobrança temporária de 15%, salvo exceções específicas.
Nem todos os produtos são afetados. Mercadorias que já possuem cobrança por motivos de segurança nacional seguem regras próprias. Alguns bens estratégicos também ficaram de fora.
Ainda não está totalmente claro se a nova tarifa de 15% será cumulativa às taxas específicas já aplicadas sobre produtos como aço e alumínio.
O que continua valendo para o Brasil
As tarifas impostas por razões de segurança nacional não foram alteradas pela decisão da Suprema Corte.
Atualmente, a situação é a seguinte:
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Aço: 50%
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Alumínio: 50%
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Peças de cobre: 50%
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Madeira: 10%
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Demais produtos: nova tarifa adicional de 15%
Em 2025, a tarifa global de 10% chegou a ser aplicada sobre taxas setoriais em alguns casos, enquanto em outros foi excluída após negociações. A aplicação da nova tarifa de 15% ainda pode passar por ajustes diplomáticos.
O Brasil está melhor ou pior?
Segundo levantamento da Global Trade Alert, o Brasil aparece entre os países com maior redução na tarifa média após a reconfiguração das medidas.
A estimativa aponta queda de 13,6 pontos percentuais na tarifa média brasileira em relação ao pico observado em 2025, quando parte das exportações chegou a enfrentar alíquotas de até 50%.
Ou seja: apesar da nova tarifa adicional, o nível médio de cobrança ficou abaixo do auge do tarifaço.
Economistas avaliam que a decisão é marginalmente positiva para o Brasil no curto prazo, especialmente via câmbio e bolsa. No entanto, a incerteza sobre o comércio global continua elevada.
A nova tarifa pode durar até 150 dias, e o governo americano já indicou que pode recorrer a outros instrumentos legais para manter a pressão comercial.