As ações da Copasa (CSMG3), companhia de saneamento de Minas Gerais, vêm registrando uma valorização histórica em 2025. No acumulado do ano, os papéis já avançaram cerca de 100%, impulsionados pelas expectativas de privatização e melhorias regulatórias promovidas pela ARSAE (Agência Regional de Supervisão e Segurança do Meio Ambiente).
Mesmo com o desempenho expressivo, o Bradesco BBI mantém recomendação neutra para os papéis, mas com um preço-alvo de R$ 56, representando um potencial de valorização de 35% em relação ao fechamento de novembro.
Cenários para a Copasa (CSMG3): do otimismo ao risco
Segundo o relatório do BBI, três cenários principais estão no radar dos investidores:
Cenário Base – Privatização em 2026
Neste cenário, o banco projeta um CAGR de 17% para o Ebitda e 16% para o lucro por ação (LPA) entre 2025 e 2030. A expectativa é de eficiência operacional com corte de despesas e maior geração de caixa com os investimentos anuais sendo adicionados à base de ativos regulatórios (RAB).
A distribuição de dividendos deve se manter atrativa, com payout de 75%, elevando o dividend yield para:
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7% em 2026,
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8% em 2027,
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11% em 2028,
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Acima de 12% em 2029 e anos seguintes.
Cenário Otimista – Valorização de até 92%
Com a privatização confirmada, cortes de até 50% nas despesas operacionais e redução da TIR (Taxa Interna de Retorno) para 8,5%, o preço justo das ações poderia chegar a R$ 80, representando um upside de 92%.
Cenário Pessimista – Privatização adiada ou cancelada
Caso a Copasa continue estatal, o preço justo recua para cerca de R$ 32 por ação, uma desvalorização de 24%. No entanto, o banco considera esse cenário improvável, devido ao avanço do governo mineiro nas negociações políticas e jurídicas para viabilizar a venda.
Por que Minas Gerais quer vender a Copasa (CSMG3)?
O estado de Minas Gerais enfrenta graves dificuldades financeiras, com uma dívida superior a R$ 150 bilhões com a União. Para cumprir o acordo de pagamento e realizar investimentos obrigatórios em 2026, o governo mineiro pretende vender até 40% de sua participação na Copasa — hoje de 50,1% — mantendo, no máximo, 10% de poder de voto.
Recentemente, o governo conseguiu retirar da constituição estadual a exigência de um referendo popular para a privatização da Copasa, tornando o processo mais ágil e menos sujeito a impasses políticos.
Próximos passos para a privatização
O BBI destaca que ainda existem etapas importantes antes da conclusão da privatização, incluindo:
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Aprovação do Tribunal de Contas do Estado (TCE);
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Novo contrato de concessão com Belo Horizonte, responsável por 1/3 da receita da empresa (com possível caução de R$ 1 a R$ 1,5 bilhão, que entraria no RAB);
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Alinhamento das outras 636 cidades sob concessão, que devem seguir os termos de BH.
Caso o novo contrato com a capital seja assinado, a concessão será estendida por mais 39 anos (de 2034 a 2073), viabilizando novos investimentos e amortizações.
Vale a pena investir em Copasa (CSMG3)?
Para investidores com foco em renda, a Copasa (CSMG3) pode continuar sendo uma opção interessante, com dividendos crescentes até 12% ao ano a partir de 2029, mesmo que o cenário de privatização não se concretize totalmente.
A recomendação neutra do BBI leva em conta o momento político sensível, mas reconhece o valor embutido nos papéis diante da provável mudança de controle. O investidor que acredita na privatização pode enxergar na CSMG3 um ativo com grande potencial de valorização.