Venda da Motiva para Asur movimenta o mercado, mas a reação das ações da Motiva (MOTV3) foi discreta até agora. A operação avaliada em R$ 11,5 bilhões sinaliza um foco maior da Motiva em rodovias e ferrovias, criando expectativa entre investidores sobre o futuro da companhia.
Reação tímida das ações após venda dos aeroportos para Asur
As ações da Motiva (MOTV3) tiveram uma reação tímida após o anúncio da venda da operação de aeroportos para a mexicana Asur. No começo do pregão, os papéis chegaram a cair quase 3%, mas logo voltaram à estabilidade e até fecharam com leve alta de 0,38%, cotados a R$ 15,96. Esse comportamento demonstra que o mercado já esperava essa decisão e havia precificado a operação nos preços das ações.
Especialistas acreditam que o acordo, avaliado em R$ 11,5 bilhões incluindo dívida, não trouxe surpresas, pois o mercado já havia especulado por meses sobre o desinvestimento. A venda dos aeroportos permite que a Motiva se torne mais enxuta e menos alavancada, focando em suas outras concessões e buscando maior eficiência financeira. O mercado reage de forma moderada, refletindo a confiança na estratégia da empresa de simplificar seu portfólio.
Perspectivas dos analistas sobre a recomposição e crescimento da Motiva
Os analistas do BTG Pactual e Safra veem a venda dos aeroportos como uma oportunidade para a Motiva se concentrar em negócios mais lucrativos. A empresa passará de 37 para 17 ativos no Brasil, priorizando rodovias e ferrovias. Isso deve melhorar as margens e reduzir o custo fiscal, tornando a companhia mais eficiente financeiramente.
O preço-alvo estimado pelo BTG é de R$ 17, o que implica uma alta de 6,9% sobre o preço de fechamento recente. O Safra projeta um preço a R$ 18,80 até o fim de 2026, com potencial de valorização de 18%. Os bancos também esperam que a Motiva mantenha seu payout atual, sem aumento imediato nos dividendos, focando em crescimento sustentável.
Os especialistas destacam que a simplificação da estrutura corporativa e o foco em concessões estratégicas permitirão à Motiva explorar oportunidades de reforço contratual em rodovias e avanços em novos projetos nos leilões brasileiros. Essa estratégia é vista como positiva para destravar valor para os acionistas no médio e longo prazos.
A perspectiva é que a empresa tenha maior flexibilidade financeira para crescer em segmentos centrais, com menos alavancagem e mais capacidade para reciclar capital. Isso deve atrair investidores interessados em ativos sólidos do setor de infraestrutura no Brasil.