A JBS, maior processadora de carne do mundo, está no centro de um pedido do presidente Donald Trump para que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigue práticas de cartel no setor de frigoríficos. As ações da empresa caíram até 6% depois das declarações.
O que motivou o pedido de investigação
Trump usou suas redes sociais para afirmar que grandes frigoríficos, incluindo a JBS, estariam “aumentando o preço da carne bovina por meio de conluio ilícito, manipulação e fixação de preços”. Segundo o United States Department of Agriculture (USDA), o preço da carne bovina no atacado aumentou 16% em 2025.
A JBS foi citada pelo governo americano como uma das empresas estrangeiras envolvidas. O pedido por investigação marca mais um capítulo no escrutínio das práticas do setor de carnes nos EUA, dominado por poucas companhias que concentram a maior parte do mercado.
Impacto nas ações da JBS
Após as denúncias, as ações da JBS recuaram até 6,2% no pregão dos EUA, refletindo a apreensão dos investidores. Em certa altura, o recuo esteve em torno de 4,6% segundo fontes de mercado.
As perspectivas negativas surgem não apenas pela investigação, mas também pela possibilidade de multas, restrições regulatórias e impacto reputacional significativo.
Por que a JBS está sob escrutínio
A JBS já enfrentou no passado acusações relacionadas à fixação de preços e práticas anticompetitivas. Em 2022, a empresa firmou acordo de US$ 52,5 milhões após acusação de que controlava a oferta de gado para elevar preços de carne nos EUA.
Além disso, o elevado grau de concentração do setor de carnes nos EUA — as quatro maiores empresas processadoras respondiam por cerca de 85% da produção — intensifica o risco de investigação antitruste.
Repercussões além da JBS
O pedido de investigação também afeta outras grandes companhias do setor, como Tyson Foods e Cargill. A preocupação com aumento de preços da carne se insere no contexto mais amplo da inflação de alimentos e pressões políticas nos EUA, especialmente em ano eleitoral.