Brasil tem 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos; 58,3% em transporte

Trabalhadores por aplicativos: 1,7 milhão usam plataformas como principal renda; transporte concentra 58,3% e renda média é R$2.996.
Brasil tem 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos; 58,3% em transporte
Brasil tem 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos; 58,3% em transporte

Trabalhadores por aplicativos ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro: 1,7 milhão de pessoas tinham em 2024 os apps como principal fonte de renda, aponta o . O estudo também revela a concentração no setor de transporte (58,3%), indica a renda média mensal de R$2.996, detalha a jornada de trabalho e mostra o alto nível de informalidade, ressaltando desafios como baixa contribuição previdenciária e o controle das plataformas sobre as condições de trabalho.

Número total e crescimento até 2024

Trabalhadores por aplicativos somavam cerca de 1,7 milhão no 3º trimestre de 2024. Isso equivale a 1,9% dos trabalhadores do setor privado. Em 2022, no 4º trimestre, eram 1,3 milhão. O aumento foi de 400 mil pessoas, ou 30,8% em dois anos.

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Em 2024, 53,1% (878 mil) usavam aplicativos de transporte particular. Somando táxis, chegam a 964 mil, ou 58,3% dos plataformizados. Aplicativos de entrega concentravam 29,3% (485 mil). Plataformas de serviços gerais ou profissionais reuniam 17,8% (294 mil). Aplicativos de táxi tinham 13,8% (228 mil).

Entre 2022 e 2024 todas as categorias cresceram. Serviços gerais tiveram a maior alta, 52,1%, subindo de 193 mil para 294 mil. Transporte particular cresceu 29,2%, de 680 mil para 878 mil. Aplicativos de entrega avançaram 8,9% no período.

Números e metodologia

Os dados vêm da Contínua e estão em fase experimental. A pesquisa considera quem usa o app como principal fonte de renda. O levantamento foi divulgado pelo IBGE, em parceria com Unicamp e o Ministério Público do Trabalho.

Distribuição por tipo de plataforma: transporte, entrega e serviços

Trabalhadores por aplicativos somavam 1,7 milhão no 3º trimestre de 2024. A maior parte atua no transporte. 53,1% (878 mil) usam apps de transporte particular. Somando táxis, são 58,3% (964 mil) do total plataformizado.

Aplicativos de entrega reuniam 29,3% (485 mil) dos trabalhadores. Plataformas de serviços gerais ou profissionais representavam 17,8% (294 mil). Aplicativos de táxi tinham 13,8% (228 mil).

Variação entre 2022 e 2024

Entre 2022 e 2024 todas as categorias cresceram. Serviços gerais avançaram 52,1%, subindo de 193 mil para 294 mil. Transporte particular cresceu 29,2%, de 680 mil para 878 mil. Aplicativos de entrega cresceram 8,9% no período.

Notas sobre a pesquisa

Os dados são da PNAD Contínua e estão em fase experimental. A pesquisa considera quem usa o app como principal fonte de renda. Os números mostram distribuição por tipo de plataforma e a participação de transporte, entrega e serviços.

Renda média, jornada de trabalho e variações regionais

Renda média por hora dos trabalhadores por aplicativos foi R$ 15,40 em 2024. Quem não usa apps teve média de R$ 16,80 por hora. A renda média mensal dos plataformizados foi R$ 2.996 em 2024. Os demais ocupados no setor privado tiveram média de R$ 2.875.

Horas e rendimento

A jornada média dos trabalhadores por aplicativos foi 44,8 horas semanais em 2024. Os demais ocupados trabalharam 39,3 horas por semana. Motoristas de aplicativo trabalham, em média, cinco horas a mais por semana. Entre os condutores de automóveis, a renda mensal média foi R$ 341 superior aos não plataformizados. Motociclistas plataformizados cresceram 140 mil entre 2022 e 2024. Eles ganharam 28,2% a mais por mês, mas cumpriram 3,9 horas semanais a mais.

Contribuição e informalidade

Somente 35,9% dos trabalhadores por aplicativos contribuíram para a previdência em 2024. Entre os não plataformizados, 61,9% contribuíram. No Norte, só 15,4% fizeram contribuição previdenciária. No Sul, 51,8% contribuíram para a previdência.

A informalidade entre os trabalhadores por apps foi 71,1% em 2024. Esse índice é quase o dobro dos 43,8% entre os não plataformizados. A média do setor privado era 44,3%. As regiões Nordeste e Norte tiveram as maiores taxas, 87,7% e 84,9% respectivamente. O Centro-Oeste apresentou o menor percentual de informalidade, 61,0%.

Distribuição regional

O Sudeste concentrou 888 mil trabalhadores por aplicativos em 2024. Isso equivale a 53,7% do total nacional. A participação regional variou entre 1,4% no Sul e 1,9% no Norte e no Centro-Oeste. Entre 2022 e 2024, o Centro-Oeste registrou crescimento de 58,8% no número de trabalhadores por app. O Norte cresceu 56,0% no mesmo período. Esses números mostram expansão relevante fora das grandes cidades do Sudeste.

Informalidade, contribuição previdenciária e direitos trabalhistas

Informalidade foi de 71,1% entre os trabalhadores por aplicativos em 2024. Esse percentual é quase o dobro dos 43,8% entre não plataformizados. A média do setor privado ficou em 44,3% no mesmo período. Norte e Nordeste apresentam os maiores índices: 84,9% e 87,7% respectivamente.

O Centro-Oeste teve o menor percentual, com 61,0% de informalidade. Essas taxas mostram como o trabalho por app segue com pouca proteção formal. Informalidade alta afeta , seguro e outros direitos sociais.

Contribuição previdenciária

Contribuição previdenciária entre os plataformizados foi 35,9% em 2024. Entre os não plataformizados, 61,9% contribuíram no mesmo ano. No Norte só 15,4% dos trabalhadores por app contribuíram para a previdência. No Sul, 51,8% fizeram contribuição previdenciária em 2024.

A baixa contribuição reduz o acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença. Com apenas 35,9% contribuindo, a maioria fica fora da rede de proteção social. A diferença regional evidencia desigualdade no acesso à previdência entre as regiões do país.

O que se considera informal

Informais são empregados sem , autônomos sem CNPJ e auxiliares familiares. Essas categorias não têm o mesmo nível de direitos que . A pesquisa usa essa definição para medir informalidade no trabalho por aplicativos.

O total de trabalhadores por aplicativos foi 1,7 milhão no 3º trimestre de 2024. Esses percentuais influenciam a cobertura previdenciária e os direitos trabalhistas de muita gente no país.

Desafios das plataformas e propostas de regulação

Baixa autonomia é um desafio central nas plataformas digitais. Grande parte dos trabalhadores não decide o valor ou o cliente. Em 2024, 91,2% dos motoristas de transporte particular tiveram o valor definido pela plataforma. Entre entregadores, 81,3% viram a plataforma fixar o pagamento. Taxistas plataformizados registraram 79,4% nessa condição. Outras ocupações tiveram 45,4% e serviços profissionais 37,2%.

As plataformas também controlam quem atende e como é o pagamento. Muitos trabalhadores não escolhem clientes nem formas de cobrança. Sobre prazos, 70,4% dos entregadores disseram que a plataforma define o tempo de entrega. Para motoristas de transporte particular, 54,8% relataram prazos pela plataforma. Trabalhadores de outras funções em entrega tiveram 53,2% nessa situação. Profissionais de serviços apresentaram 28,1%.

No total, 1,7 milhão de pessoas usavam apps como principal renda no 3º trimestre de 2024. A jornada média foi de 44,8 horas semanais entre os plataformizados. A renda por hora ficou em R$15,40, ante R$16,80 dos não plataformizados. A renda mensal média foi R$2.996 para quem depende de apps. Informalidade entre esses trabalhadores alcançou 71,1% em 2024. Só 35,9% contribuíram para a previdência naquele ano.

Propostas de regulação

Medidas em debate buscam reduzir a informalidade e aumentar a proteção social. Uma proposta é facilitar a contribuição previdenciária, por exemplo, criando canais simples de pagamento. Outra ideia é exigir transparência sobre algoritmos que definem corridas e entregas. Isso ajudaria a entender como preços e prioridades são calculados.

Também se discutem regras para garantir remuneração mínima e horas máximas de trabalho. Fiscalização mais rígida e multas para plataformas que descumprirem normas são sugeridas. Há propostas para reconhecer direitos coletivos, como negociação sindical e acesso a canais de reclamação. Essas medidas visam equilibrar autonomia, renda e proteção social para 1,7 milhão de trabalhadores por apps.

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