União Europeia recolhe carne brasileira em 10 países por suspeita de uso de hormônios

Suspeita de hormônio na carne brasileira resulta em recall pela UE envolvendo mais de dez países. Detalhes e repercussões do caso.

A determinou o recolhimento de lotes de carne brasileira exportada pela JBS após identificar suspeitas de resíduos de estradiol, um hormônio reprodutivo proibido no bloco europeu. O episódio, que afeta mais de dez países, reacendeu críticas sobre o controle sanitário do e colocou pressão adicional sobre as negociações do acordo entre e UE.

Segundo a Comissão Europeia, o recall foi iniciado ainda em novembro e envolve carne proveniente da unidade da JBS em Campo Grande (MS). O estradiol é utilizado em protocolos de fertilização de fêmeas bovinas e, embora especialistas afirmem que os resíduos são ínfimos e não representam risco à saúde, o composto é vetado em qualquer nível pelos regulamentos europeus.

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Como começou a suspeita e a resposta das autoridades

O Ministério da Agricultura brasileiro recebeu notificações de , Holanda e relatando suspeitas sobre a carga exportada. Nos documentos enviados ao Sipoa de Campo Grande, o destacou que a comunicação europeia estava ligada a uma falha apontada por auditores da UE durante inspeções recentes no Brasil.

A JBS declarou que os animais eram provenientes de uma fazenda do estado e abatidos meses antes do embarque. Em uma auditoria realizada em outubro, o Ministério da Agricultura identificou uma divergência de informação sobre o uso do estradiol nessa fazenda fornecedora, que posteriormente foi repassada à União Europeia. A partir disso, a Comissão Europeia solicitou o recall como medida preventiva, ainda que não tenha realizado testes nas cargas.

A empresa afirmou ter identificado todos os lotes e adotado os procedimentos necessários. Segundo a JBS, o Sistema de Inspeção Federal da unidade não foi suspenso, e a companhia continua exportando normalmente para o mercado europeu.


Quais países foram afetados pelo recall

O recolhimento da ocorreu em pelo menos 10 países da União Europeia, incluindo Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, República Tcheca, Alemanha, , Itália, Holanda e Eslováquia. O Reino Unido — incluindo a Irlanda do Norte — também registrou impacto, de acordo com a emissora pública irlandesa RTÉ.

Na Irlanda, a Associação de Agricultores (IFA) aproveitou o episódio para reforçar críticas ao acordo Mercosul–UE. O presidente da entidade, Francie Gorman, afirmou que o caso “levanta questionamentos sobre os controles sanitários do Brasil”.


Há risco para a saúde do consumidor?

Segundo a consultora Lygia Pimentel, da Agrifatto, o nível de estradiol eventualmente encontrado em carne costuma ser residual. Isso ocorre porque o hormônio é aplicado em fêmeas adultas, e o abate acontece muito tempo depois. Ela também destaca que, no Brasil, o uso de hormônios como promotores de crescimento é proibido — o que elimina a possibilidade de tratamento destinado ao aumento de peso.

Ainda assim, a legislação europeia é mais restritiva e não admite a presença do composto. Por isso, mesmo cargas sem risco sanitário podem ser alvo de recall se houver qualquer indício de falha documental ou procedimental.


Impactos para as exportações de carne brasileira

O episódio reacende discussões históricas sobre a confiança europeia na carne brasileira, especialmente em um momento sensível de negociações políticas e comerciais. Embora a JBS siga habilitada a exportar e afirme cumprir todos os requisitos, a pressão de sindicatos, agricultores e parlamentares europeus tende a aumentar.

Para o Brasil, a consequência imediata é de desgaste diplomático e aumento da vigilância sobre frigoríficos e fazendas fornecedoras. No entanto, diante de não haver evidências de risco sanitário, o caso deve continuar sendo tratado como uma falha de conformidade — e não como uma violação de segurança alimentar.

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