Os resultados financeiros do 3T25 revelam um panorama desafiador para empresas brasileiras, com apenas 36% delas entregando resultados sólidos. Enquanto setores como construção civil e alimentos mostram crescimento, a alta dos juros impacta negativamente o lucro líquido consolidado, refletindo a complexidade do cenário atual.
Análise detalhada dos resultados financeiros das empresas brasileiras no 3T25
O terceiro trimestre de 2025 apresentou resultados financeiros desafiadores para as empresas brasileiras. Apenas 36% das companhias cobertas pelo BTG Pactual reportaram resultados sólidos, uma queda de 6 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Isso se deve em grande parte ao aumento da taxa Selic, que chegou a 15%, impactando negativamente o lucro líquido consolidado, que caiu 22% ao excluir Petrobras e Vale.
Apesar das dificuldades, a receita líquida agregada das empresas (excluindo as gigantes de commodities) avançou 10% no período, com destaque para o setor imobiliário, que cresceu 23% impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida. As construtoras Cury, Direcional e Tenda lideraram esse crescimento com aumentos de receita entre 24% e 34%.
Setores que impulsionaram resultados
O setor de alimentos se destacou como o maior contribuidor positivo, com a JBS aumentando receita apoiada por preços e volumes maiores. No setor de aluguel de carros, Movida e Localiza expandiram o Ebitda em 19% e 7%, respectivamente, graças à reprecificação de tarifas que ajudou a recompor margens.
Também o setor de mineração e siderurgia (exceto Vale) apresentou um salto de 92% no lucro líquido, puxado pela CSN, CSN Mineração e Aura Minerals, que se beneficiaram da valorização do real e alta do ouro. Já o atacado e varejo tiveram crescimento de receita de 5%, com empresas como RD Saúde e Smart Fit mostrando expansão forte, apesar do cenário econômico difícil.
Setores que enfrentaram quedas
Por outro lado, o agronegócio sofreu retração de 13% na receita, perdendo R$ 10,6 bilhões em comparação ao ano anterior. Bancos e serviços básicos também apresentaram queda de lucros, com o Banco do Brasil mostrando redução de mais de 60% no lucro, e Sabesp e Cemig caindo 80% e 76% respectivamente, afetadas por bases de comparação difíceis de 2024.
Esses dados apontam para uma temporada de balanços em que a eficiência operacional nem sempre se traduziu em lucro final. A alta dos juros e o peso da dívida foram fatores decisivos para esses resultados, demonstrando os desafios para a economia brasileira neste momento.