O Banco Central ainda não desistiu de regulamentar o PIX Parcelado, modalidade que permite ao pagador parcelar uma transferência, enquanto o recebedor recebe o valor integral na hora — como num PIX comum. No entanto, após prometer as regras para setembro, o BC já adiou a divulgação várias vezes e, agora, não trabalha mais com prazo definido.
Segundo fontes ligadas à instituição, o principal motivo da demora são impasses com os próprios bancos, que já oferecem o parcelamento de forma individual. O objetivo do BC é padronizar essa linha de crédito, criando regras claras e uniformes para garantir segurança aos consumidores e evitar abusos.
Apesar da morosidade, o Banco Central afirma que avanços técnicos importantes já foram feitos, incluindo o desenho de regras para evitar o superendividamento e a apresentação clara das condições de crédito dentro dos apps bancários.
O que é o PIX Parcelado?
O PIX Parcelado funciona como um empréstimo pessoal integrado ao PIX: o consumidor compra algo ou faz um pagamento via PIX, mas escolhe pagar em várias parcelas. Já o recebedor do dinheiro recebe o valor cheio na hora. A operação normalmente envolve juros, e o consumidor assume um financiamento direto com a instituição financeira.
Segundo o BC, o objetivo da regulamentação é garantir que o usuário saiba exatamente quanto vai pagar, com transparência nas taxas, número de parcelas e custos totais da operação.
Por que a regulamentação ainda não saiu?
O BC havia prometido divulgar as regras em setembro. O prazo foi estendido para outubro e, depois, para novembro. Mas a complexidade da regulamentação, somada à resistência de bancos em aceitar algumas condições, levou a autoridade monetária a suspender qualquer nova estimativa de data.
De acordo com o BC:
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Não haverá rotativação de dívida, como ocorre com o cartão de crédito.
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As faturas deverão ser claras, com todas as condições visíveis ao consumidor.
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A modalidade deve ser competitiva, com juros menores do que os cobrados no cartão.
Apesar disso, o BC diz que está priorizando a qualidade técnica e a robustez da norma, para garantir que a modalidade seja duradoura e segura.
Por que o PIX Parcelado é importante?
A expectativa do Banco Central é que o PIX Parcelado democratize o acesso ao crédito, especialmente para os mais de 60 milhões de brasileiros que não têm cartão de crédito.
De acordo com a pesquisa “Jornada de Crédito”, da empresa Matera, 53% dos consumidores brasileiros já usaram o PIX Parcelado, tornando-o a segunda modalidade de crédito mais popular no país — atrás apenas do cartão de crédito.
Além disso, o PIX Parcelado pode diminuir a dependência do rotativo do cartão, que possui juros altíssimos (445% ao ano em janeiro de 2025). A ideia é oferecer uma alternativa mais barata e transparente.
E agora?
Ainda não há previsão de quando a regulamentação será anunciada, mas o Banco Central mantém o compromisso de implementá-la. Enquanto isso, os bancos continuam oferecendo o PIX Parcelado com regras próprias, o que aumenta a importância da padronização oficial.
Quando a norma for publicada, ela deverá exigir que as instituições financeiras detalhem todas as condições do empréstimo, incluindo:
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Valor de cada parcela
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Custo total da operação
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Multas em caso de atraso
Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a regulamentação deve tornar o PIX Parcelado uma ferramenta de crédito poderosa, principalmente nas compras do varejo e na aquisição de produtos de maior valor.