As ações da Raízen (RAIZ4) ampliaram os ganhos na tarde desta sexta-feira (17) e disparam 7% às 15h30, tornando-se a maior alta do Ibovespa no dia. No mesmo horário, o índice da B3 subia 0,62%, em meio a um pregão de leve recuperação do mercado.
O forte avanço ocorre após uma sequência de sessões marcadas por alta volatilidade e especulações sobre a situação financeira da companhia. Segundo analistas, o movimento positivo de hoje é impulsionado por operações técnicas relacionadas ao exercício de opções sobre ações, e não por mudanças fundamentais no negócio.
Movimento técnico impulsiona a ação
De acordo com Fábio Lemos, analista da Fatorial Investimentos, a valorização expressiva de RAIZ4 está ligada ao vencimento de opções de ações, o que provoca ajustes de posição entre investidores institucionais.
“A alta não está ligada aos fundamentos da empresa. O que vemos é um movimento técnico, de compra para cobertura de posições vendidas. Isso gera pressão compradora e faz o papel disparar no curto prazo”, explicou o especialista ao Broadcast.
Esse tipo de comportamento é comum em datas próximas ao vencimento de derivativos, especialmente em empresas de grande liquidez e forte presença no Ibovespa, como a Raízen.
Decisão do Carf e ruídos do mercado
A sessão positiva de hoje ocorre após uma semana de oscilações intensas nas ações da companhia. O cenário foi agravado por uma decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que negou créditos tributários à Raízen referentes a despesas administrativas — medida que, embora não tenha impacto imediato relevante, adicionou ruído ao noticiário.
Além disso, rumores de mercado sobre uma suposta reestruturação de dívidas e até pedido de recuperação judicial circularam recentemente após a queda dos títulos de dívida (bonds) da empresa no exterior.
Esses boatos provocaram incertezas entre investidores, especialmente após relatos de que grandes fundos internacionais reduziram exposição aos papéis da Raízen.
Empresa desmente rumores e reforça liquidez
Em comunicado oficial, a Raízen negou categoricamente as especulações, afirmando que não considera nenhuma forma de reestruturação financeira, tampouco pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.
A empresa destacou que mantém uma posição de caixa sólida e que, no final de 2024, alongou o perfil de suas dívidas, garantindo fôlego para o atual ciclo operacional.
De acordo com Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, o pânico foi infundado:
“A Raízen já reestruturou sua dívida no fim do ano passado. Não há nenhuma pressão de liquidez que justifique uma RJ. A empresa tem caixa, fluxo operacional e um perfil de dívida saudável”, disse a analista durante o programa Giro do Mercado.
Perspectivas para a Raízen
A Raízen (RAIZ4) segue como uma das principais empresas integradas de energia do país, com forte atuação nos segmentos de biocombustíveis, etanol, energia renovável e distribuição de combustíveis.
Apesar da volatilidade recente, analistas de mercado ainda veem potencial de valorização no médio e longo prazo, sustentado pela recuperação da demanda global por biocombustíveis, pela expansão do portfólio de energia limpa e pelo crescimento internacional da empresa.
Com o movimento de hoje, a Raízen recupera parte das perdas da semana passada, quando os papéis caíram mais de 9%. O desempenho indica uma normalização das expectativas e uma resposta positiva do mercado ao posicionamento firme da companhia.