A recente queda do bitcoin, que derrubou a cotação da criptomoeda abaixo dos US$ 100 mil, tem origem inesperada: segundo Chris Kuiper, vice-presidente de Pesquisa da Fidelity Investments, o movimento está sendo impulsionado por investidores antigos do ativo digital, que estariam vendendo seus ativos de forma gradual.
Venda silenciosa: queda sem euforia nem pânico
Kuiper afirmou, em publicação feita na última quarta-feira (12) na plataforma X (ex-Twitter), que a movimentação de baixa não foi motivada por pânico no mercado tradicional. Pelo contrário: há, segundo ele, uma “compra visível” por parte de empresas e ETFs. Isso indica que o recuo nos preços tem origem dentro do próprio universo cripto.
“O que é interessante neste ciclo é a inclinação descendente relativamente suave deste mercado em alta. Não houve queda brusca. É uma perda lenta e constante”, explicou.
O gestor observa que, apesar de fundamentos positivos para o bitcoin e da presença de grandes investidores institucionais, o preço da criptomoeda continua pressionado — sinal de que os veteranos estão aproveitando o momento para realizar lucros.
“Cansaço” entre holders antigos pesa no mercado
Kuiper destacou ainda um sentimento crescente de frustração entre os holders mais antigos — os investidores de longo prazo que acumularam bitcoin ao longo dos ciclos anteriores.
“O desempenho do bitcoin tem ficado atrás do ouro e até do S&P 500. As pessoas estão ficando cansadas disso”, afirmou.
Com a alta esperada para outubro não se concretizando, muitos desses investidores estão, segundo ele, aproveitando novembro para fazer ajustes fiscais e encerrar suas posições com os ganhos acumulados.
Alta institucional não tem sustentado os preços
Apesar do crescente interesse institucional — com aumento da exposição por parte de fundos, empresas e ETFs — a cotação do bitcoin não tem refletido essa adoção. Kuiper vê isso como uma divergência importante entre fundamentos e preços.
“Por enquanto, os desenvolvimentos fundamentais positivos e a fraca movimentação de preços continuam a divergir”, concluiu.
Outros analistas do setor também apontam que a entrada de capital institucional está sendo neutralizada pela pressão vendedora dos investidores veteranos e por um mercado varejista mais cauteloso.
Investidores aguardavam euforia que não veio
A grande expectativa do mercado era por um rali de fim de ano, impulsionado por um ciclo histórico de quatro anos que tradicionalmente culmina em altas expressivas. Mas, até agora, o bitcoin não correspondeu.
“Todos esperavam um final eufórico para o ciclo de 4 anos, mas outubro passou sem brilho”, destacou Kuiper.
Com o final de 2025 se aproximando, o clima de realização de lucros tem pesado mais do que o otimismo, o que ajuda a explicar a queda constante, porém controlada, da maior criptomoeda do mundo.