As ações da Prio (PRIO3) voltaram a figurar entre as maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira (17), subindo 4,7%, cotadas a R$ 35,82, após a companhia anunciar a retomada da produção no campo de Peregrino, um dos ativos mais relevantes do portfólio da empresa.
A operação estava paralisada desde meados de agosto, quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou a interdição do FPSO Peregrino (unidade flutuante de produção e armazenamento de petróleo), devido a pendências de segurança operacional e adequações no sistema de dilúvio — mecanismo de combate a incêndio exigido em plataformas offshore.
Produção retomada e início do ramp-up
Em fato relevante, a Prio comunicou que o processo de ramp-up da produção — fase de retomada gradual até a capacidade plena — será iniciado imediatamente.
O FPSO Peregrino é operado pela norueguesa Equinor, com quem a Prio firmou em maio de 2025 um acordo para aquisição de 100% de participação no ativo, fortalecendo sua presença na Bacia de Campos.
A companhia destacou que a retomada da produção reforça sua estratégia de crescimento orgânico e integração de novos campos adquiridos, além de restaurar o fluxo de caixa operacional impactado pela paralisação.
Analistas destacam relevância do ativo
Segundo analistas consultados pelo Money Times, a liberação da ANP remove uma incerteza relevante que pesava sobre o desempenho da companhia nos últimos meses.
A participação da Prio em Peregrino gera, em média, US$ 40 milhões mensais em receita, valor significativo para o resultado operacional e para a geração de caixa livre da petroleira.
“A reativação de Peregrino é um ponto de inflexão para a Prio. O campo tem um peso relevante no volume total de produção e estava represando parte do potencial de geração de valor”, avaliam os analistas do BTG Pactual, que mantêm recomendação de compra para PRIO3.
Com a interrupção, a Prio reportou queda de 22% na produção de setembro, atingindo 71.269 barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), ante 91.000 boe/dia em agosto. No terceiro trimestre de 2025, a média ficou em 88.168 boe/dia, uma das menores dos últimos dois anos.
Perspectivas e desempenho recente
Apesar da reação positiva no pregão, as ações da Prio ainda acumulam queda de 12% no ano, pressionadas pela volatilidade dos preços do petróleo e por resultados mais fracos no primeiro semestre.
No balanço do segundo trimestre, a empresa registrou lucro líquido 54% menor na comparação anual, refletindo menores volumes produzidos e preços de venda menos favoráveis.
Com a retomada da produção em Peregrino, o mercado projeta melhora gradual nos resultados do quarto trimestre, especialmente se o Brent continuar acima dos US$ 85 por barril.
A Prio também deve retomar seu programa de recompras de ações e pagamento de dividendos à medida que a normalização da produção fortaleça o caixa.
Estratégia de longo prazo
A Prio mantém seu foco na aquisição e revitalização de campos maduros, estratégia que tem impulsionado sua expansão e fortalecido sua posição como maior produtora independente de petróleo do Brasil.
A empresa opera ativos nas bacias de Campos e Santos e segue avaliando oportunidades de novas aquisições, tanto em território nacional quanto no exterior.
Para os analistas da XP Investimentos, a retomada em Peregrino “marca o início de um novo ciclo operacional positivo para a Prio, que deve encerrar o ano com produção acima de 90 mil boe/dia e margens robustas, beneficiadas pelo câmbio e pela eficiência de custos”.