O ouro registrou nesta terça-feira (21) sua maior queda em 12 anos, encerrando um período de valorização contínua que vinha se estendendo há nove semanas. O movimento de forte correção atingiu também a prata, que teve seu maior recuo desde 2021. A queda foi motivada por uma combinação de fatores, como a realização de lucros, o fortalecimento do dólar americano e a redução da demanda global por proteção financeira.
Durante o pregão, o ouro à vista chegou a cair 6,3%, sendo negociado a US$ 4.082,03 por onça-troy. A prata à vista, por sua vez, recuou 8,7%, atingindo US$ 47,89 por onça. No fechamento parcial do mercado de Nova York, o ouro operava com perda de 4,9%, a US$ 4.142,15, enquanto a prata seguia em queda de 6,7%, a US$ 48,92.
Ouro perde força após sequência de altas
O ouro vinha de uma sequência de ganhos que o levou a níveis recordes, acumulando nove semanas consecutivas de valorização. A alta havia sido impulsionada por fatores como a política monetária mais branda em diversas economias, o aumento das tensões comerciais globais e a busca por ativos considerados seguros.
No entanto, analistas do mercado de commodities observam que o metal atingiu condições técnicas de sobrecompra, tornando o movimento de correção inevitável. Além disso, o fortalecimento recente do dólar americano elevou o custo do ouro para compradores internacionais, o que reduziu a demanda.
Outro fator importante foi a expectativa de avanço nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos, o que diminuiu a procura por ativos defensivos. O período de compras de ouro na Índia, que costuma elevar a demanda física, também chegou ao fim, contribuindo para a desaceleração do mercado.
Realização de lucros e dólar forte afetam os preços
A queda do ouro também está relacionada à realização de lucros por parte de grandes fundos e investidores institucionais, que aproveitaram a valorização acumulada para reduzir posições. O dólar, que se valorizou diante de outras moedas importantes, reforçou a pressão sobre os metais preciosos.
Com os ganhos recentes, muitos contratos de ouro e prata alcançaram níveis históricos de valorização, incentivando a saída de capital especulativo. O movimento de liquidação levou à maior volatilidade dos metais em mais de um ano.
A ausência de novos dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), devido à paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, aumentou a incerteza entre operadores. Sem o relatório que mostra o posicionamento dos grandes fundos, o mercado ficou mais suscetível a oscilações bruscas.
Volume recorde de negociações
Nos últimos dias, o volume de negociações com ouro e prata atingiu recordes. Foram registrados mais de 2 milhões de contratos de opções vinculados ao principal fundo de índice (ETF) de ouro do mundo. O número superou o maior volume já registrado anteriormente, refletindo a forte movimentação de investidores em busca de proteção ou de oportunidades com a correção dos preços.
Especialistas da Bloomberg observam que, apesar da queda, os níveis de investimento em ouro por meio de ETFs continuam elevados em relação à média histórica. Ainda assim, a tendência de curto prazo é de ajuste e consolidação, após meses de forte valorização.
Prata segue o mesmo movimento
A prata acompanhou o recuo do ouro. O metal acumulava alta de cerca de 80% em 2025, impulsionado por fatores semelhantes — como o interesse por ativos reais, a inflação global e as tensões geopolíticas. Contudo, nas últimas semanas, a prata passou a sofrer com um ajuste de preços no mercado físico.
Os preços de referência em Londres estavam acima dos contratos futuros negociados em Nova York, o que havia levado operadores a enviar metal para a Europa para reduzir a escassez. Com a inversão da tendência, parte desses estoques foi liquidada rapidamente, provocando o forte recuo observado hoje.
De acordo com dados da Bolsa de Futuros de Xangai, a terça-feira registrou a maior retirada diária de prata dos cofres desde fevereiro. Nos Estados Unidos, os estoques de prata mantidos por fundos e bancos também diminuíram, reforçando o sinal de ajuste global de oferta e demanda.
Perspectivas para o mercado de ouro
Apesar da forte queda, analistas avaliam que o ouro deve manter relevância como ativo de proteção de longo prazo, especialmente diante da instabilidade fiscal e política em grandes economias. A recente correção é vista como parte natural do ciclo do mercado, após meses de valorização intensa.
A tendência para as próximas semanas dependerá do comportamento do dólar, dos indicadores econômicos dos Estados Unidos e das decisões de política monetária do Federal Reserve. Caso a economia americana apresente sinais de força, o ouro pode continuar pressionado; porém, se os dados apontarem desaceleração, o metal poderá voltar a atrair investidores em busca de segurança.