As ações da Natura (NATU3) amargaram forte queda nesta terça-feira (11), após a companhia divulgar um resultado abaixo das expectativas no terceiro trimestre de 2025. Por volta das 14h, os papéis recuavam mais de 14%, sendo negociados a R$ 7,84, com mínima intraday de queda superior a 18%.
O desempenho ruim foi reconhecido pelo próprio CEO da companhia, João Paulo Ferreira, que classificou o trimestre como “decepcionante” durante entrevista a jornalistas. A Natura registrou prejuízo líquido recorrente de R$ 119 milhões, pressionada por um ambiente macroeconômico desafiador e elevação nas despesas financeiras e operacionais.
Desaceleração no consumo impacta receita
Segundo Ferreira, o consumo caiu além do esperado no Brasil e também em países como México e Argentina, afetando diretamente as vendas. Além disso, o Ebitda recorrente somou R$ 577 milhões, queda de 33,7% em relação ao mesmo período de 2024.
Do lado interno, o CEO apontou o aumento nas despesas operacionais (SG&A) como um fator relevante — parte disso ligado a investimentos em tecnologia e canais de distribuição, que, segundo ele, devem começar a gerar retorno apenas a partir de 2026.
Avon segue como desafio
Outro ponto crítico destacado pela liderança da empresa foi a dificuldade em reverter o desempenho da marca Avon, que não conseguiu aproveitar o cenário de consumo mais contraído com seu portfólio de produtos mais acessíveis. A Natura prevê um relançamento da Avon para o meio de 2026, com a premissa de manter sua posição como marca mais acessível em relação à linha premium da própria Natura.
Reestruturação e perspectivas para 2026
Apesar do trimestre difícil, a Natura reforça o otimismo com o futuro. A companhia espera concluir até o fim de 2025 o ciclo de reestruturação na América Latina, incluindo a venda da operação internacional da Avon e uma possível definição para a unidade russa da marca.
O CEO afirmou ainda que a empresa está focada na contenção de despesas e que os efeitos dessas medidas devem começar a aparecer no último trimestre do ano. Com isso, a Natura projeta retomar a rentabilidade e geração de caixa que marcaram o ciclo anterior às aquisições internacionais, entre 2017 e 2019.
Ações da Natura (NATU3) acumulam queda no ano
Mesmo com a confiança no plano de transformação, o mercado reagiu com força negativa aos números do 3T25. As ações da Natura (NATU3) acumulam queda de mais de 20% em 2025, refletindo não só os resultados recentes, mas também as incertezas ligadas à recuperação das operações internacionais e aos custos da reorganização corporativa.
Ainda assim, analistas apontam que a precificação atual pode abrir espaço para uma reavaliação positiva caso a companhia consiga cumprir suas metas em 2026.