O Mubadala Capital, braço de gestão de ativos alternativos do fundo soberano de Abu Dhabi, está avaliando um potencial investimento no Will Bank, instituição financeira digital controlada pelo Banco Master, segundo fontes próximas às negociações.
O movimento é considerado estratégico para reduzir o passivo financeiro do Master, que enfrenta um momento delicado e precisou recorrer, em maio, a uma linha de liquidez de mais de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Will Bank pode ser peça-chave para aliviar a crise do Banco Master
A entrada do Mubadala no capital do Will Bank é vista pelo mercado como um passo essencial para restabelecer a confiança dos credores e reduzir o risco de exposição do FGC, que garante depósitos de até R$ 250 mil por investidor em caso de insolvência bancária.
Com cerca de R$ 7 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) garantidos pelo FGC, o Will Bank representa hoje um dos principais ativos do grupo Master e é considerado fundamental para minimizar o impacto de uma eventual reestruturação.
De acordo com analistas do setor, a venda ou capitalização do Will Bank poderia melhorar a liquidez do conglomerado e abrir espaço para um processo mais organizado de recuperação financeira, em meio às restrições impostas pelo Banco Central (BC).
Mubadala Capital amplia presença no Brasil
O Mubadala Capital administra cerca de US$ 430 bilhões em ativos globalmente e tem aumentado sua presença no Brasil nos últimos anos.
Entre seus investimentos locais estão a Zamp — operadora das redes Burger King e Popeye’s — e a Atvos, empresa do setor sucroalcooleiro.
A possível entrada no Will Bank reforçaria o interesse do grupo árabe no setor financeiro brasileiro e marcaria mais um movimento de diversificação da carteira, com foco em ativos digitais e tecnologia bancária.
Segundo fontes, o Mubadala já havia sido citado anteriormente em reportagem do Valor Econômico como potencial interessado no banco digital.
Negociações ganham força após desistência de investidores locais
O interesse do Mubadala ocorre após a desistência de um consórcio de investidores brasileiros, que incluía o apresentador Luciano Huck e a EB Capital, que chegou a negociar a compra do Will Bank, mas não avançou nas tratativas.
Com a saída desse grupo, o Banco Master intensificou as conversas com investidores internacionais para vender total ou parcialmente o Will, considerado o ativo mais valioso do conglomerado.