Justiça bloqueia R$ 12 bilhões em bens do BRB e do Banco Master

Decisão judicial determina bloqueio de bens do BRB, Banco Master e executivos após esquema bilionário revelado
Banco Master

A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 12,2 bilhões em bens do Banco de Brasília (), do Banco Master e de executivos das instituições investigados pela Polícia Federal. A decisão é da 10ª Vara Federal de Brasília e foi tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (18/11), que apura fraudes bilionárias no .

A medida atinge diretamente os presidentes afastados das duas instituições — Daniel Vorcaro, do Master, e Paulo Henrique Costa, do BRB — além de outros executivos, ex-sócios e pessoas ligadas ao esquema, incluindo familiares. O juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite também autorizou o bloqueio de bens registrados em nome de filhos menores de idade dos investigados.

Publicidade: Banner Header – Meio do post

Lista de alvos

Entre os alvos da decisão estão:

  • Daniel Vorcaro (presidente do Banco Master)

  • Paulo Henrique Costa (presidente afastado do BRB)

  • Dario Oswaldo Garcia Júnior (diretor financeiro afastado do BRB)

  • Augusto Lima (ex-sócio do Master)

  • Luiz Antônio Bull (diretor do Master)

  • Ângelo Antônio Ribeiro da Silva (sócio do Master)

  • André Felipe Maia (ligado à Tirreno e à Cartos Fintech)

  • Tirreno, Cartos SCD, Asteba e Asseba

A lista inclui ainda entidades jurídicas e associações utilizadas no esquema, como a Tirreno Consultoria e a Cartos Sociedade de Direto.

Esquema de fraude e manipulação contábil

Segundo a investigação, o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito sem realizar pagamento e repassado os ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões pelas operações em um período de dois meses. A transação teria ocorrido sem documentação adequada, com o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio do Master e ocultar sua real situação financeira.

De acordo com o juiz, “há indícios contundentes de um suposto esquema articulado para fraudar o sistema financeiro, iludir órgãos de controle, prejudicar e obter vantagens indevidas”. Ele cita a prática de falsidade documental, manipulação contábil e operações estruturadas com o objetivo de esconder irregularidades.

Bens de luxo e passaportes

Além do bloqueio de valores, a decisão judicial autorizou a busca e apreensão de bens de luxo dos investigados, como joias, relógios, veículos avaliados em mais de R$ 100 mil e dinheiro em espécie. A Polícia Federal encontrou, por exemplo, R$ 1,6 milhão em espécie na casa de um dos envolvidos. Os passaportes dos investigados também foram retidos, e todos estão proibidos de deixar o país.

Repercussão e mudanças no BRB

Após os desdobramentos da operação, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou a substituição do presidente do BRB. O indicado para assumir a presidência é Celso Eloi, servidor da Caixa Econômica Federal. O afastamento dos atuais executivos tem duração inicial de 60 dias.

O que aconteceu com o Banco Master?

Vorcaro foi alvo de uma operação que mira a venda de títulos de créditos falsos — ou seja, o emitia CDBs com promessa de pagar ao cliente taxas muito maiores do que as oferecidas pelo mercado. No entanto, esse retorno era irreal.

Segundo as investigações:

  • O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs, um tipo de título financeiro) prometendo  acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
  • Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
  • O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB – que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para “socorrer” o caixa do Banco Master.
  • Essas  aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master – e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o do DF.

 

A prisão aconteceu horas após o consórcio liderado pelo grupo de investimento Fictor Holding Financeira anunciar a compra do Banco Master.

LEIA TAMBÉM:

https://entrealtasebaixas.com.br/como-ficou-o-banco-pleno-saida-master/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.