O interesse do BTG no Banco Master ganhou novo fôlego após o anúncio da compra parcial da instituição pelo BRB (Banco de Brasília). Embora o negócio entre o Master e o banco estatal tenha sido interpretado como um movimento de resgate silencioso para evitar problemas sistêmicos, investidores agora acompanham de perto as negociações paralelas envolvendo o banco de André Esteves.
E o recado é claro: se BTG entrar no jogo, o mercado respira com mais confiança.
A origem do interesse: o apetite do BTG pela carteira de precatórios
Segundo apuração do Estadão, o BTG Pactual está interessado exclusivamente na carteira de precatórios do Banco Master — um tipo de ativo no qual o banco já é um dos maiores especialistas do país. Trata-se de créditos judiciais contra o poder público, com alto potencial de retorno quando comprados com deságio. Esse mercado exige conhecimento técnico e paciência, dois atributos que o BTG domina.
De acordo com dados de junho de 2023, o Master possuía cerca de R$ 6,93 bilhões em precatórios federais, R$ 94,5 milhões em estaduais e R$ 58 milhões em municipais. Ou seja, um volume expressivo e relevante para qualquer operação estruturada.
O que está em discussão não é a aquisição do banco como um todo, mas sim um fatiamento estratégico dos ativos, o que reduziria riscos e ampliaria a liquidez de partes valiosas do balanço do Master.
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Como o mercado interpretou a possível entrada do BTG?
De forma direta: com alívio. O Master vinha sendo tratado como um banco com estrutura frágil, cujos CDBs “turbinados” e dependência de recursos do varejo acenderam alertas de risco elevado.
A entrada do BRB, com foco em sinergias operacionais, foi importante — mas incompleta. Segundo o próprio banco, R$ 23 bilhões em ativos não foram absorvidos na transação. É justamente sobre esse saldo que o BTG estaria avaliando sua entrada, especialmente pela atratividade da carteira judicial.
“É uma solução elegante. Você fatiar os ativos entre entes estatais e privados qualificados, como o BTG, reduz o risco de quebra e alivia o Fundo Garantidor de Crédito (FGC)”, avalia um gestor ouvido pelo Money Times.
Banco Central acompanha de perto
No dia 31 de março, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu em reuniões separadas o CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, e André Esteves, sócio sênior do BTG. A audiência com Esteves foi incluída de última hora na agenda do BC, sinalizando a prioridade institucional da operação.
Conforme a resolução nº 108 de 2021, o BC tem até 360 dias para avaliar fusões e aquisições no setor bancário, mas a expectativa de bastidores é que a análise do caso Master seja concluída em até seis meses, dada a urgência e o potencial de repercussão.
BRB atua como âncora do resgate, mas não absorve tudo
A compra pelo BRB envolveu aproximadamente R$ 2 bilhões, com foco em carteiras alinhadas ao seu core business: crédito consignado, clientes corporativos, câmbio e banco digital. A operação é considerada uma “atualização do Proer”, programa de socorro bancário da década de 1990, mas sem uso de recursos do Tesouro ou do BC.
O BRB deixou de fora as operações do Voiter e do Master BI, além da maior parte da carteira de precatórios. Isso significa que a operação não resolve todos os passivos e reforça a importância de um parceiro adicional, como o BTG, para garantir a estabilidade financeira do sistema.
FGC monitora, mas descarta risco sistêmico
Fontes próximas ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) afirmaram que não há risco sistêmico em caso de eventual falência do Master. Ainda assim, admitem que o impacto seria significativo: segundo o Valor Econômico, o passivo do banco representa até 50% do total de recursos do FGC.
O FGC teria condições de honrar o compromisso — o patrimônio supera R$ 120 bilhões —, mas o uso intenso do fundo poderia gerar pressão por aumento das contribuições dos bancos, que acabariam repassando esse custo aos clientes.
Por isso, uma solução de mercado, com divisão de ativos e continuidade da operação, é vista como a alternativa mais segura.
O que acontece agora: bastidores agitados e negociação intensa
Apesar de o BRB já ter formalizado a aquisição, os bastidores seguem em ebulição. Fontes próximas ao negócio dizem que o desenho final ainda está sendo articulado. A possibilidade de o BTG adquirir a carteira de precatórios em paralelo cria um cenário mais robusto e menos arriscado para todos os envolvidos.
Vale lembrar que nenhum dos executivos envolvidos se manifestou publicamente, o que reforça a delicadeza das tratativas.
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Reflexos no sistema financeiro e no investidor
O interesse de um banco como o BTG — conhecido por sua agressividade seletiva e expertise técnica — reforça a percepção de que a solução para o Master não será traumática.
Além disso, demonstra que o setor bancário brasileiro ainda possui espaço para ajustes de mercado, sem necessidade de socorro direto do governo, desde que os ativos tenham valor e compradores com apetite existam.
Para o investidor, o recado é duplo:
- O sistema financeiro é resiliente, e grandes instituições seguem acompanhando oportunidades mesmo em momentos de estresse;
- Carteiras de ativos alternativos, como precatórios, estão ganhando atenção e podem voltar à pauta de produtos estruturados.
O interesse do BTG no Banco Master ser a peça que faltava
O interesse do BTG no Banco Master vai além de uma operação pontual: ele pode garantir o desfecho seguro de um caso que tinha potencial de instabilidade maior. A entrada do BRB foi necessária, mas não suficiente. O apetite do BTG por ativos complexos — como precatórios — encaixa perfeitamente em um cenário de divisão de responsabilidades, com ganho de eficiência e mitigação de riscos.
Nas próximas semanas, o mercado seguirá atento. A análise do Banco Central, a eventual manifestação do Cade, e o avanço das negociações com o BTG vão determinar o ritmo do desfecho. Mas uma coisa é certa: o interesse do BTG no Banco Master dá ao mercado um sinal de que, mesmo nos bastidores, há quem esteja trabalhando por soluções inteligentes.