O Grupo Safras pede recuperação judicial com o objetivo de reestruturar um passivo de aproximadamente R$ 2,2 bilhões. O pedido foi protocolado nesta sexta-feira (4), na 4ª Vara Cível de Sinop (MT), abrangendo 40 empresas e produtores rurais ligados aos núcleos empresariais liderados por Pedro de Moraes Filho e pelo ex-prefeito de Sorriso (MT), Dilceu Rossato. A solicitação será analisada pela juíza Giovana Pasqual de Melo.
A medida foi tomada após a rejeição, em março, de uma solicitação cautelar que visava impedir a reintegração de posse de uma planta industrial de soja localizada em Cuiabá. Na decisão, a magistrada estabeleceu o prazo de 15 dias para que o pedido de recuperação judicial fosse formalizado, o que foi feito dentro do prazo legal.
Pedido coletivo e estratégia de reestruturação
O pedido judicial foi apresentado em formato de litisconsórcio ativo, reunindo os diversos integrantes do grupo em um único processo. Segundo a petição, apesar de cada devedor manter estrutura de ativos e passivos independentes, a tramitação conjunta seria mais eficiente para o tratamento da crise financeira e para a racionalização dos recursos processuais.
Os advogados alegam que o Grupo Safras pede recuperação judicial como alternativa à crise iniciada em 2023, causada principalmente pela queda nos preços da soja. Conforme o documento, a drástica oscilação de preços no primeiro semestre de 2023 resultou em retenção das ordens de venda dos grãos estocados nos armazéns, com vendas limitadas a apenas 40% da produção estimada.
Expansões e dívidas agravaram situação financeira
Além do impacto da queda de preços, o grupo cita a aquisição da Copagri, posteriormente rebatizada como Safras Agroindústria, como um dos fatores de agravamento da crise. A operação teria implicado na absorção de um passivo superior a R$ 500 milhões, além de requerer aportes significativos para a retomada da atividade industrial na planta adquirida.
O Grupo Safras pede recuperação judicial também mencionando altos investimentos em capital fixo (capex) para a usina de etanol de milho e para a unidade esmagadora de soja. Esses investimentos foram realizados sem o suporte de mecanismos estruturados de financiamento, como project finance, o que comprometeu ainda mais o caixa operacional do conglomerado.
Situação do agronegócio pressiona empresas do setor
A solicitação do Grupo Safras ocorre em um contexto de crescente pressão sobre empresas do agronegócio, especialmente aquelas fortemente expostas às oscilações de commodities agrícolas. A recuperação judicial, nesses casos, é usada como instrumento legal para readequar dívidas, preservar a operação e manter empregos enquanto se renegocia com credores.
De acordo com a defesa, o Grupo Safras pede recuperação judicial com o intuito de evitar a liquidação imediata e buscar a viabilidade econômica do grupo por meio de plano de recuperação que será apresentado à Justiça e aos credores.
A estrutura de produção e armazenamento do grupo, concentrada no Centro-Oeste brasileiro, segue operacional, e a expectativa é de que o processo judicial permita a continuidade das atividades sob supervisão legal. A petição também reforça a intenção de manter os contratos com fornecedores e clientes, desde que garantidas as condições econômicas viáveis.
O anúncio de que o Grupo Safras pede recuperação judicial marca mais um episódio relevante de reestruturação empresarial no agronegócio brasileiro em 2025. Com um passivo bilionário e operações espalhadas por diversas frentes do setor agrícola, o grupo busca reorganizar suas obrigações e garantir a continuidade das operações em meio às adversidades enfrentadas desde 2023.
A tramitação do processo será acompanhada com atenção por agentes financeiros, fornecedores, credores e outros players do setor, dado o peso econômico e social da holding no Mato Grosso e em outros estados do país.