As tentativas da Justiça de bloquear valores ligados ao grupo Fictor tiveram efeito praticamente nulo no sistema de rastreamento de ativos financeiros (SISBAJUD). Uma ordem de bloqueio de até R$ 7,32 milhões, determinada em ações movidas por investidores que alegam prejuízos milionários, encontrou contas e fundos com saldos zerados ou inexistentes.
A medida buscava garantir valores por meio da constrição eletrônica de ativos em bancos, corretoras, instituições de pagamento e administradores fiduciários.
Bloqueios retornam zerados
De acordo com as respostas das instituições financeiras, a maioria das empresas do grupo apresentou bloqueio de R$ 0,00.
Entre elas, a Fictor Holding não teve valores localizados. O mesmo ocorreu com a Fictor Invest e a Fictor Asset, que também registraram ausência de recursos constritos.
Nos fundos vinculados à marca, o cenário foi semelhante. O Fictor Agro Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado Investimento no Exterior, o FIDC Fictor e o Fictor Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia não apresentaram valores bloqueáveis.
As únicas quantias identificadas foram parciais. No EUD Fictor Consignado FIDC, houve bloqueio de R$ 237 mil. Já no Fictor Consignado II FIDC, o valor encontrado foi de R$ 123 mil — ambos classificados como cumprimento parcial por insuficiência de saldo.
Na prática, um bloqueio “zerado” via SISBAJUD indica que não foram encontrados valores disponíveis em conta corrente ou ativos financeiros com liquidez imediata nas instituições consultadas.
Patrimônio existe, mas não em caixa
No caso do Fictor Invest FIDC, o último documento divulgado aponta patrimônio superior a R$ 270 milhões. No entanto, as disponibilidades em caixa aparecem zeradas.
A carteira do fundo é composta majoritariamente por cotas de outros fundos. Em termos de liquidez, cerca de R$ 3,5 milhões estariam disponíveis de forma imediata, R$ 39,5 milhões com prazo de até 30 dias e aproximadamente R$ 176,7 milhões com vencimento superior a 360 dias.
No Fictor Agro, segundo dados da CVM, mais de 70% da carteira estava alocada no próprio Fictor Invest FIDC.
Estrutura em camadas dificulta execução
A estrutura em que um fundo investe em outro dentro do mesmo ecossistema ajuda a explicar a ausência de recursos bloqueáveis em conta corrente.
Esse modelo pode dificultar a execução judicial imediata, já que o patrimônio está concentrado em participações indiretas e não em liquidez bancária.
O advogado Vitor Gomes Rodrigues de Mello, que representa parte dos investidores, afirma que o cenário reforça preocupações sobre possível esvaziamento patrimonial e pulverização de recursos.
Enquanto isso, investidores seguem acompanhando os desdobramentos judiciais, especialmente em meio ao contexto de recuperação judicial do grupo.
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