Custos da suinocultura no Paraná pressionam a rentabilidade mesmo com a produção recorde de 12,4 milhões de suínos abatidos em 2024. Levantamento do Sistema FAEP mostra aumentos expressivos nos custos por leitão e prejuízos em todas as fases produtivas. Produtores relatam que depreciação, mão de obra e insumos não são integralmente compensados pelas integradoras, comprometendo investimentos e sustentabilidade das granjas.
Produção recorde e exportações: 12,4 milhões de suínos abatidos em 2024
A suinocultura do Paraná atingiu um recorde em 2024. Foram abatidos 12,4 milhões de suínos no ano. Esse volume colocou as exportações em patamares históricos e destacou a força do setor.
Exportações e destinos
As exportações cresceram e abriram mercados externos importantes. A demanda internacional ajudou a sustentar o volume de abates. Porém, o preço recebido pelo produtor nem sempre acompanhou esse avanço. A integração com as agroindústrias concentra a comercialização dos animais e afeta a renda do integrado.
Indicadores de preço e insumos
No mercado, o suíno carcaça teve cotação de R$ 12,58 por kg. O preço estadual do suíno no Paraná ficou em R$ 8,44 por kg. O milho, insumo chave para ração, foi cotado em R$ 65,12 por kg. A soja no Paraná teve indicador de R$ 132,96 por kg. Esses custos de ração e insumos pressionam a margem do produtor, mesmo com a produção recorde.
Custos e prejuízos por fase: leitões, crechário e terminação, com dados da FAEP
Na Unidade Produtora de Desmamados (UPD) do Oeste, o custo total por leitão foi R$ 79,51. Esse custo subiu 64% em apenas sete meses.
Remuneração e prejuízo
A remuneração média paga ao produtor ficou em R$ 47,80. O levantamento aponta um prejuízo de R$ 54,86 por animal, segundo o estudo da FAEP.
No crechário (UC) da região Oeste, o prejuízo foi de R$ 7,97 por leitão. Nos Campos Gerais, a remuneração nem cobriu os custos variáveis, gerando prejuízo de R$ 17,56 por cabeça.
Terminação e impacto
Na terminação (UT) do Oeste, o prejuízo alcançou R$ 40,89 por suíno terminado. Nos Campos Gerais, o saldo final ainda foi negativo em R$ 36,28 por animal.
O levantamento da FAEP ouviu produtores nas fases UC, UPD e UT, nas regiões Oeste e Campos Gerais. Esses dados servem como referência para as negociações nas Cadecs.
Causas do aumento de custos
Os produtores apontam que a depreciação de equipamentos não é totalmente computada pelas integradoras. A mão de obra também está mais cara e mais escassa.
O preço dos insumos pressiona a conta. O milho foi cotado em R$ 65,12 por kg e a soja em R$ 132,96 por kg. Esses valores elevam o custo da ração e reduzem a margem do produtor.
Repercussões para o produtor
Produtores como Angelo Nabozny e Udo Herpich relatam falta de retorno para investimentos. Eles dizem que muitas propriedades ficam sem recursos para modernizar instalações.
Deborah de Geus, da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, afirma que a margem do integrado permanece negativa. Isso torna as negociações nas Cadecs ainda mais importantes.