China importa menos soja do Brasil em novembro e amplia compras dos EUA

A China importa menos soja do Brasil em novembro, com queda de 25%, enquanto aumenta as compras dos EUA. Entenda o impacto no mercado global.
China acelera agricultura

China importa menos soja do Brasil e amplia compras dos EUA

As importações de soja do Brasil pela China sofreram uma queda significativa em novembro de 2024, com redução de 25% em relação ao mesmo mês do ano anterior. De acordo com dados da Administração Geral de Alfândega da China, divulgados na última sexta-feira (20), o país asiático adquiriu 3,94 milhões de toneladas de soja do Brasil, em comparação com 5,25 milhões de toneladas em novembro de 2023 .

Enquanto isso, os embarques de soja dos Estados Unidos para a China aumentaram no mesmo período, alcançando 2,79 milhões de toneladas, contra 2,29 milhões no ano passado. Este movimento ocorre em meio a preocupações crescentes com as relações comerciais entre Washington e Pequim, agravadas pela posse iminente do presidente eleito .

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Aumento das negociações comerciais entre China e EUA

As ameaças de tarifas comerciais feitas por , que assumiram o cargo em 20 de janeiro, reacenderam os temores de uma nova guerra comercial entre os dois maiores produtores de soja do mundo. A incerteza sobre o futuro das relações comerciais levou os importadores chineses a antecipar compras de soja norte-americana, temendo possíveis aumentos de preços ou descontos não fornecidos.

Desde abril, os exportadores dos intensificaram os embarques para a China, aproveitando uma janela de oportunidade antes que mudanças políticas políticas afetassem o comércio. A chinesa Sinograin, uma das maiores compradoras estatais do país, adquiriu quase 500 milhões de toneladas de soja americana na última semana para entrega em março e abril, pagando prêmios mais altos pelos suprimentos.


Panorama das importações de soja pela China em 2024

Em novembro, a China importou um total de 7,15 milhões de toneladas de soja, consolidando-se como o maior comprador global da oleaginosa. Apesar da queda nas compras brasileiras no mês, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de soja para o gigante asiático em 2024.

País de Origem Importações em Novembro (toneladas) Variação Anual (%)
Brasil 3,94 milhões -25%
EUA 2,79 milhões +22%
242 mil +347%

No acumulado de janeiro a novembro de 2024, a China importou 97,09 milhões de toneladas de soja, com o Brasil representando 71,7 milhões de toneladas, um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2023.


Impactos no mercado brasileiro

Embora algumas das brasileiras tenham registrado queda em novembro, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de soja para a China, com 73% do total comprado até o momento em 2024. No entanto, a redução pontual nas para o maior mercado consumidor do mundo aumenta preocupações entre os produtores brasileiros, que enfrentam desafios crescentes relacionados à competitividade.

Analistas destacam que o aumento das compras chinesas de soja norte-americana é influenciado por preços mais competitivos e pelo esforço dos exportadores dos EUA para acelerar embarques antes de possíveis mudanças políticas.

Além disso, a valorização do dólar em 2024 também impacta os custos de do Brasil, diminuindo a atratividade da soja brasileira no mercado internacional.


Argentina aumenta participação

Outro destaque do mês foi o aumento das importações de soja da Argentina pela China, que cresceram 347% em novembro, atingindo 242 mil toneladas. Embora o volume ainda seja pequeno em comparação com o Brasil e os EUA, a recuperação da produção argentina após um ano de condições climáticas adversas tem ampliado a oferta do país vizinho no .

Esse aumento reflete uma estratégia planejada da China para garantir seu abastecimento, especialmente em um cenário de incertezas comerciais.


Recorde anual de importações em 2024

Mesmo com a queda nas compras brasileiras em novembro, a China caminha para registrar um recorde histórico de importações de soja em 2024. No acumulado do ano, os volumes totais já somam 97,09 milhões de toneladas, e os analistas projetam que o número pode superar 100 milhões até o final de dezembro.

Este aumento reflete a forte demanda interna por ração animal, impulsionada pela recuperação do plantel de suínos no país após o surto de peste suína africana nos últimos anos.


O futuro do comércio de soja

As perspectivas para 2025 são incertas, especialmente devido às tensões comerciais entre China e Estados Unidos. A posse de Donald Trump como presidente dos EUA em janeiro de 2025 pode resultar em uma comercial mais agressiva, com tarifas que impactam diretamente o mercado de soja.

Para o Brasil, a manutenção de sua posição como principal fornecedor de soja para a China dependerá de fatores como a competitividade dos preços, a valorização do real frente ao dólar e a estabilidade das relações comerciais entre os dois países.


A notícia de que a China importa menos soja do Brasil em novembro reflete uma dinâmica global marcada por incertezas comerciais e flutuações de mercado. Embora o Brasil continue liderando as exportações para o país asiático, a participação crescente dos Estados Unidos e da Argentina sinaliza desafios futuros para os produtores brasileiros.

Com as propostas comerciais entre China e EUA em ascensão e um mercado global cada vez mais competitivo, o setor agrícola brasileiro precisará redobrar esforços para garantir sua competitividade e sua posição como principal fornecedor de soja para o maior consumidor mundial.

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