O Banco do Brasil (BBAS3) não deve pagar dividendos extraordinários até, pelo menos, o final de 2026, segundo o CFO da instituição, Geovanne Tobias. O executivo afirmou nesta quarta-feira (13) que a diretoria continuará defendendo o payout de 30%, política adotada desde a revisão feita após os resultados do segundo trimestre.
Foco na recomposição de capital e desafios regulatórios
De acordo com Tobias, a redução do payout — percentual dos lucros distribuído aos acionistas — tem como objetivo reforçar o capital principal do banco, necessário para suportar perdas inesperadas e cumprir exigências regulatórias que devem aumentar em 2026.
“A gente considera o nível atual [11,6%] como uma zona de conforto, mas o próximo ano vai exigir mais capital por conta de novas regras”, explicou o CFO.
Lucro em queda e projeções ajustadas para 2025
No terceiro trimestre, o lucro líquido ajustado do Banco do Brasil caiu 60,2%, para R$ 3,785 bilhões, impactado por provisões maiores e aumento no custo do crédito. Com isso, o banco reduziu a projeção de lucro para 2025: de uma faixa entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões para um intervalo menor, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.
O custo do crédito também foi ajustado para cima, passando para um intervalo entre R$ 59 bilhões e R$ 62 bilhões.
Renegociações e expectativa de cenário mais positivo em 2026
Apesar dos desafios, o BB vê espaço para melhora. O foco atual está em acelerar renegociações de dívidas, especialmente no segmento agro, que contará com apoio da MP 1314, destinada a facilitar a reestruturação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos.
“Uma renegociação não deixa de ser um novo crédito. E não estamos com as carteiras fechadas”, destacou Tobias.
A expectativa é de um cenário mais benigno em 2026, com foco em linhas de crédito de menor risco e bom retorno, principalmente para pessoas físicas.
Dividendos extraordinários só no fim de 2026 — se houver espaço
A possibilidade de um pagamento extra de dividendos só será considerada ao final de 2026 — e apenas se houver capital suficiente e aprovação do conselho de administração. A política de payout de 30% será mantida até lá.
Juros sobre capital próprio (JCP) seguem como alternativa
Apesar do aperto, o banco anunciou a distribuição de R$ 410,6 milhões em JCP, referentes ao balanço do terceiro trimestre. O pagamento está programado para o dia 11 de dezembro.
Segundo Tobias, a estratégia de pagar JCP seguirá ativa enquanto houver vantagem fiscal. O executivo também disse que antecipar dividendos para evitar eventual tributação proposta pelo governo “não está no radar” neste momento.