A tão comentada fusão entre Azul (AZUL4) e Gol (GOLL54) chegou oficialmente ao fim. Nesta sexta-feira (26), as companhias confirmaram o encerramento das negociações e do acordo de codeshare firmado entre elas. A decisão foi bem recebida pelo mercado, levando as ações da Azul a subirem 17,14% por volta das 11h22 (horário de Brasília), cotadas a R$ 1,23. As ações da Gol (GOLL54), por sua vez, registravam alta de 6,19%, negociadas a R$ 6.
O acordo de fusão entre as duas companhias chegou a movimentar o mercado no início de 2025, quando assinaram um Memorando de Entendimentos. Contudo, a concretização dependia da conclusão da recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos (Chapter 11). Quando isso ocorreu, foi a vez da Azul entrar no mesmo processo, travando qualquer avanço nas negociações.
Fim da fusão e do codeshare
Segundo a Genial Investimentos, o encerramento do acordo sinaliza a dificuldade de realização de uma fusão no setor aéreo, principalmente com o Chapter 11 da Azul em andamento. A casa ainda apontou que a decisão pode ter sido uma antecipação à possibilidade de o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) se opor à combinação de negócios.
Para o Bradesco BBI, o fim das tratativas não altera significativamente a estratégia de nenhuma das empresas. A Gol, agora fora do Chapter 11, já executa seu plano de reestruturação sem prever uma fusão. Já a Azul está focada na sua própria recuperação judicial. No entanto, o banco destaca que o fim do codeshare pode impactar negativamente a conectividade das duas companhias.
A recomendação do BBI segue sendo de venda para os papéis de ambas as empresas.
A carta da Abra Group
O fim das negociações foi comunicado por meio de uma carta enviada pela Abra Group, controladora da Gol, à Azul. No documento, a Abra alegou que, desde a assinatura do Memorando, esteve à disposição para seguir com as discussões, mesmo durante o processo de reestruturação da Azul. Contudo, nenhuma evolução significativa ocorreu, segundo a empresa.
A Abra destacou que o cenário atual das empresas é diferente daquele no qual o acordo inicial foi firmado. Por isso, optou por encerrar formalmente as negociações.
A Azul, por sua vez, confirmou o fim do acordo de codeshare, firmado em maio de 2024, mas garantiu que as passagens já emitidas seguirão válidas.
O papel do Cade na decisão
O Cade também teve papel relevante na decisão. Em setembro, a autarquia determinou que o acordo de codeshare entre Azul e Gol deveria ser notificado em até 30 dias para análise. Caso contrário, seria considerado “gun jumping”, prática que configura adiantação ilegal de integração entre empresas antes da aprovação de órgãos reguladores.
Apesar de acordos de codeshare com prazo definido geralmente não necessitarem de notificação, o firmado entre Azul e Gol foi considerado atípico por ser de prazo indeterminado e envolver duas grandes empresas nacionais. Além da notificação, o Cade proibiu a expansão do codeshare em rotas não abrangidas previamente, até que a operação fosse analisada.
Caso as empresas optassem por não notificar a autarquia, deveriam desfazer o acordo em definitivo, como acabou ocorrendo.
Reestruturações paralelas
Vale lembrar que, em janeiro, a Gol estava em processo de recuperação nos EUA, com previsão de término em junho de 2025. O plano foi cumprido com a capitalização e a mudança do ticker para GOLL54. Em maio, a Azul também entrou com pedido de Chapter 11, tornando-se a última das três maiores companhias a passarem por esse tipo de reestruturação.
Desde então, a Azul tem concentrado seus esforços em sair rapidamente do processo, reduzindo custos e focando em sua performance operacional independente de uma combinação societária.
O mercado reage
O término das negociações, apesar de colocar fim a uma expectativa de consolidação, foi interpretado pelo mercado como um alívio, diante da insegurança regulatória e financeira envolvida no processo. A forte valorização das ações da Azul demonstra a percepção positiva de que a companhia segue com estratégia própria e potencial para recuperação independente.
Já os papéis da Gol também reagem positivamente, impulsionados pelo otimismo com a nova fase pós-Chapter 11 e a possibilidade de avançar sem depender de uma fusão.