A Axia Energia (AXIA3; AXIA6), antiga Eletrobras, movimentou o mercado nesta sexta-feira (28) ao anunciar uma nova estrutura para distribuição de dividendos sobre reservas acumuladas de quase R$ 40 bilhões. O comunicado também trouxe a retomada dos estudos para migração da companhia ao Novo Mercado da B3, segmento que exige alto padrão de governança corporativa.
O destaque do anúncio é a criação de uma nova classe de ações preferenciais com direito a voto, chamadas ações PNC (Preferenciais com Novo Controle). Esses papéis serão usados para remunerar os acionistas com os lucros retidos, evitando os impactos da nova legislação tributária sobre dividendos que entra em vigor em 2026.
Estratégia contábil busca mitigar impacto de nova taxação
A estrutura permite que a empresa declare dividendos ainda em 2025 — garantindo isenção fiscal — mas distribua efetivamente esses proventos até 2028, conforme permitido por brechas legais. A Genial Investimentos avaliou que a solução busca equilibrar o cumprimento da Lei das S.A., que exige pagamento no mesmo exercício, com a nova legislação tributária que prevê taxação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês a partir de 2026.
O BTG Pactual classificou a manobra como uma “opcionalidade gratuita” para a empresa, permitindo mais flexibilidade no uso do caixa sem comprometer o planejamento estratégico de longo prazo.
“A Axia está se posicionando para manter uma remuneração atrativa mesmo diante da mudança tributária. A estrutura do PNC preserva valor para o acionista e reduz riscos legais”, avaliou o BTG.
O que muda para o investidor da Axia Energia?
Na prática, os acionistas receberão ações PNC, que podem ser recompradas ou convertidas em ações ordinárias (ON) até 2031. O JPMorgan estimou que, assumindo a conversão integral das reservas, essas ações podem gerar dividend yield de até 2,5% ao ano e ganhos em direitos de voto.
Já o Itaú BBA reforça que a decisão não representa, necessariamente, uma distribuição imediata em dinheiro, mas um movimento de eficiência tributária. “A companhia garante retorno futuro ao acionista sem descapitalizar o caixa no curto prazo”, afirma relatório do banco.
Migração ao Novo Mercado volta ao radar
Além do anúncio de dividendos, a Axia Energia retomou oficialmente os estudos para migrar ao Novo Mercado da B3, que exige ações com direito a voto e maior transparência. A estrutura das PNCs é vista como um passo de transição até 2031.
Segundo a Genial, esse movimento reforça o compromisso com boas práticas de governança, o que pode melhorar a percepção de risco e atratividade junto a investidores institucionais.
“A adesão ao Novo Mercado pode destravar valor via melhoria de múltiplos e ampliar o acesso da Axia a capital de longo prazo”, diz a análise.
Reações do mercado e recomendação dos analistas
Analistas de mercado viram a medida como positiva, embora sem impacto imediato no fluxo de caixa. A Axia Energia mantém recomendação de compra por BTG Pactual e JPMorgan, enquanto a Genial Investimentos recomenda manutenção.
O Itaú BBA reforça que a estrutura proposta é uma “resposta moderna a um problema tributário antigo”, indicando que a empresa está preparada para o novo ambiente regulatório e fiscal do país.