As ações da Axia (AXIA3) recuaram quase 3% nesta sexta-feira (27), mesmo após a companhia divulgar um quarto trimestre com forte crescimento no lucro. O movimento reflete frustração do mercado com algumas linhas operacionais que vieram abaixo das expectativas.
Por volta das 11h, os papéis caíam 2,73%, a R$ 61,20, enquanto investidores avaliavam o equilíbrio entre avanço anual expressivo e um “miss” pontual frente ao consenso.
Receita cai e Ebitda fica abaixo do esperado
No 4T25, a Axia registrou receita líquida de R$ 9,9 bilhões, queda de cerca de 5% na comparação anual, impactada principalmente por menor volume de energia vendida e receitas de transmissão abaixo do projetado.
O Ebitda ajustado somou R$ 5,6 bilhões, alta de 18% ano contra ano, com margem robusta de 55%. Ainda assim, o número ficou abaixo das estimativas de parte do mercado.
Analistas destacaram que o principal fator foi o volume de energia vendida, que veio inferior ao modelado. Apesar disso, o preço médio de geração ficou acima do esperado pelo segundo trimestre consecutivo, indicando boa gestão comercial.
Lucro dispara com créditos tributários
Se o operacional trouxe ruído, o lucro chamou atenção. O lucro líquido regulatório ajustado atingiu R$ 2,6 bilhões, avanço de 136,7% na comparação anual.
Considerando efeitos contábeis, o lucro reportado foi de R$ 14 bilhões, impulsionado pelo reconhecimento de R$ 12,3 bilhões em créditos tributários.
Analistas apontam que o reconhecimento desses créditos é relevante em termos de valor presente e pode sustentar dividendos mais elevados no futuro.
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Miss pontual ou sinal de alerta?
Na leitura predominante das casas de análise, o desvio parece mais pontual do que estrutural.
O recuo no volume de energia vendida estaria ligado à estratégia de alocação do portfólio, e não a deterioração operacional. A companhia pode ter optado por reter parte da energia para comercialização futura ou redirecionado contratos dentro do portfólio.
A tese de investimento permanece ancorada em dois vetores principais: preços de energia no longo prazo e disciplina na alocação de capital.
Apesar da queda no pregão, a maioria das casas mantém recomendação de compra para Axia (AXIA3), sinalizando que o mercado ainda vê trajetória construtiva no médio prazo.