As ações da M. Dias Branco (MDIA3) operam em forte queda nesta segunda-feira (10), após a divulgação de mais um trimestre com desempenho abaixo do esperado. Por volta das 11h25 (horário de Brasília), os papéis desabavam 10,70%, cotados a R$ 26,13. O tombo reflete a decepção do mercado com os resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25), que apresentaram margens comprimidas, custos elevados e lucro abaixo das projeções.
Segundo análise do JPMorgan, o volume total vendido no trimestre foi de 483 mil toneladas, impulsionado por esforços comerciais e operacionais. No entanto, o EBITDA ficou 19,4% abaixo da estimativa do banco e 14,3% abaixo do consenso, refletindo uma deterioração nas margens. O lucro líquido também decepcionou: 4,8% abaixo da estimativa do JPMorgan e 1,3% inferior ao consenso de mercado.
Margens em queda e custos em alta preocupam o mercado
Mesmo com algum crescimento sequencial na receita, o relatório aponta que os ganhos operacionais da M. Dias foram consumidos pelo aumento de custos com vendas, despesas gerais e administrativas (SG&A). Para os analistas, a pressão sobre margens deve continuar nos próximos trimestres, e o mercado já espera novas revisões negativas nas projeções da empresa.
A XP Investimentos também avaliou os resultados como mais fracos do que o esperado, destacando a volatilidade da margem como um possível gatilho para desvalorização (de-rating) das ações. O banco notou uma queda de 4% nos preços médios em relação ao 2T25, o que pode estar ligado a um mix menos favorável, com maior peso de categorias como farinhas e óleos vegetais, que possuem menor margem.
Estratégia de estoques atrasa alívio nos custos
Mesmo com maior participação de produtos de menor valor agregado, o custo da matéria-prima por quilo caiu menos que o esperado, o que indica que a empresa pode estar segurando estoques com preços mais altos — uma estratégia que posterga os benefícios da recente deflação de commodities, como o trigo.
O Itaú BBA reforçou a visão de que o trimestre foi fraco, com EBITDA 13% abaixo de suas estimativas. Para o banco, a esperada recuperação da margem EBITDA ainda não se concretizou e o desempenho reforça a dúvida: quando a nova estratégia comercial da M. Dias começará a entregar os resultados prometidos?
Cortes de estimativas e recomendações neutras
Diante do cenário, os analistas do BBI (Bradesco BBI) reduziram as estimativas de EBITDA e lucro líquido para 2026 em 14% e 12%, respectivamente. O preço-alvo das ações caiu de R$ 31 para R$ 28. A recomendação segue neutra. Para o BBI, o principal desafio da companhia é reancorar as expectativas dos investidores após anos de resultados voláteis.
A XP e o Itaú BBA também mantiveram posturas cautelosas. O BBA reiterou recomendação neutra com preço-alvo de R$ 25, considerando que, embora haja avanço em volume e geração de caixa, a consistência na recuperação da rentabilidade ainda é uma incógnita.
Ainda vale investir na M. Dias?
Para os analistas, a M. Dias precisa mais do que volumes crescentes para recuperar a confiança do mercado. A companhia enfrenta desafios estruturais: margens apertadas, custos elevados e uma estratégia comercial que ainda não mostrou resultados consistentes. Mesmo com algum alívio esperado nos custos no 4º trimestre, há ceticismo sobre a capacidade de conversão em margens melhores e crescimento sustentável.